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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Projeto Espanha e Portugal - 2000 km

   Sei que estou devendo o relato da pedalada entre Rio Branco e Cusco, porém a vontade de se aventurar mais uma vez pelo velho continente falou mais alto. Novamente farei uma pedalada com o grande Marco Brandão e ao julgar pela experiência que tivemos pedalando juntos em julho de 2015, essa nova empreitada também será um sucesso.
   A ideia é pedalar por: Bilbao, Lagos de Covadonga, Picos de Europa, Monte Angliru, Peregrinação de Santiago de Compostela, Vigo, Porto, Estrada 222 (a melhor do mundo em 2015), Serra da Estrella, Coimbra e Lisboa.

   Abaixo deixo o roteiro, o álbum com todo o planejamento e o texto escrito pelo Marco, explicando como surgiu a ideia dessa nova aventura

https://www.facebook.com/PedalandoSFronteiras/photos/?tab=album&album_id=581332765377797


Texto do Marco:

   NOVO PROJETO [ VERSÃO PARA QUEM GOSTA DE LER UM POUCO MAIS ] :D

   Agora finalmente, podemos responder a pergunta habitual que todos nossos amigos do dia a dia fazem:
   E então seus malucos, para onde é a próxima ? kkkkkk
  O roteiro da nova empreitada surgiu através de meses de conversa que o Aramis e eu travamos pelos undergrounds do whatsapp e facebook. Debatemos muitas opções de lugares. Escolhemos, decidimos, planejamos e estudamos o roteiro a seguir:
   A partida se dará na cidade de Bilbao comunidade autônoma do País Basco na Espanha, que só para não ser diferente, é uma cidade cercada por cadeias de montanhas, até porque a Espanha é um dos países mais montanhosos da Europa. ( Obrigado Aramis eu queria apenas Portugal, e você começou a colocar as montanhas do Giro de España no roteiro só para me lascar, valeu ... kkkkkkk )
   Ou seja, partindo de Bilbao seguiremos rumo a Cordilheira Cantábrica em direção ao Parque Nacional de los Picos de Europa ( acho que esse nome já explica tudo né ? ). Em seguida, para a fronteira com a Castilla até a exuberante região dos Lagos de Covadonga. Passando pelas Astúrias, Castela e Leão, Pico Angliru ( uma das maiores montanhas do Giro de Espanha ) e pelo caminho francês da peregrinação, pretendemos chegar a Galícia, mais precisamente na internacionalmente famosa cidade de Santiago de Compostela, um dos destinos de peregrinação cristã mais famosos do mundo. Dizem que o peregrino que vai a Santiago sofre grandes mudanças interiores. Eu me arrisco a dizer que quem viaja de bicicleta também sofre grandes mudanças, afinal tudo está ligado a fé, determinação, persistência, penitência, abdicação e humildade.
   Em Santiago estaremos praticamente com metade do percurso pedalado, e o próximo passo, é seguir no caminho de peregrinação português, nesse caso no sentido inverso, ou seja, voltando para Lisboa cruzando a fronteira entre Espanha e Portugal. Entretanto, montamos esse caminho com interesse de percorrer e conhecer alguns lugares da terra natal da minha mãe e minha família.  Escolhemos conhecer um pouco da região costeira, nas cidades de Vigo e Porto, e para deixar o percurso ainda mais especial no quesito “ subidas “, pretendemos fazer um desvio para o interior, seguindo o rio Minho até alcançar a região montanhosa de Portugal onde está localizada a famosa Serra da Estrela, que para nós aqui no Brasil, se equivale a Serra do Rio do Rastro, com direito a muita neve e frio na estação de inverno. Lembrando que estaremos em pleno verão europeu, e eu só torço muito para que não façam temperaturas muito altas, porque eu prefiro mil vezes o frio.
    Contornando e subindo toda a região do Parque Natural da Serra da Estrela, voltaremos sentido Coimbra, passando pelas cidades de Fátima e Leiria, com o objetivo final de chegar a capital portuguesa, Lisboa.
   Lá estando, quero tirar uma foto com meu primo Nuno Alves, visitar o bairro onde viveram os avós que me criaram ( Celda e Chico ) e onde permeiam todas as histórias por eles contadas de uma Portugal sofrida nas mãos do ditador Salazar, grande motivo de imigração portuguesa a procura de melhores condições de vida e trabalho no Brasil na época. Conhecer o estuário do rio Tejo de onde saíram as Caravelas que aqui no Brasil aportaram no ano de 1500, apreciar bastante a culinária portuguesa, beber vinho do Porto e comer muitos pastéis de Belém em Belém, e finalmente ver a cabeça do bacalhau. Kkkkkkk :D
   Muita gente tem curiosidade sobre os CUSTOS de uma viagem como essa. Eu diria que estando com o passaporte em ordem, a despesa maior fica por conta da passagem,que nesse caso troquei por milhas do cartão de crédito ;) ... estando no lugar escolhido para pedalar, dispomos de barracas para dormir em Campings e Albergues por 10 euros, compramos comida nos mercados e preparamos ( é barato ), e quando não, qualquer refeição de 6 euros enche o bucho. Água tem a vontade pelo caminho, além da hospitalidade que por muitas vezes trocamos e conseguimos com carisma, amizade e boa conversa.
   Outra curiosidade a ser esclarecida: as bikes não são ultra bikes, são mountain bikes que podem custar em torno de 850,00. Já vi cicloturistas por aí viajando de Barra forte ... ;)
   Acho que desta vez não teremos problemas com o idioma ... kkkkkk
  Contamos muito com a boa energia, apoio, respaldo e torcida de nossos familiares e amigos ! E desde já em AGRADECEMOS IMENSAMENTE, todo o o carinho e apreço recebido ao longo desses anos de amizade, seja no dia a dia ou na internet. MUITO OBRIGADO MESMO !!!
   Nos organizamos e nos esforçamos muito para mais uma vez fazer algo que gostamos demais, viajar de bicicleta por alguns dias. Interagir com o meio, somar e dividir !
   Onde está seu coração, aí está o seu tesouro.
Deus abençoe cada um de nós !


RELATO

Deslocamento até Bilbao - 

   Depois de muita pesquisa e planejamento (o maior que já fiz, vejam as fotos) havia chego o dia da viagem.













   Acordei cedo, fui trabalhar e ao voltar para casa na hora do almoço descobri que a minha carona tinha ido por água abaixo. Puts, que droga! Sem saber o que fazer fiquei muito nervoso e enquanto terminava de arrumar as coisas chamei para um táxi para me levar à rodoviária de Paranaguá. Ao chegar lá descobri que o ônibus para Curitiba já tinha partido e não daria tempo de chegar ao aeroporto pegando o próximo ônibus. A única opção foi ir de taxi pra Curitiba, mais ou menos uns 80 quilômetros. Combinei um preço com o taxista e lá se foi uma grana, mesmo sem começar a viagem. 
   Ao chegar no aeroporto de Curitiba outro problema: como o meu voo era apenas doméstico ( comprei uma passagem separada) tive que gastar mais um pouco por causa do excesso de bagagem. Estava com 10 quilos a mais.
   Pois bem, depois de tudo isso apareceu outro perrengue: o voo demorou um pouco, mas no fim consegui chegar em cima da hora em Guarulhos, onde o Marco estava me esperando, a tempo de pegar o avião que nos levaria pra Portugal.
   Com tudo certo e visivelmente mais calmos, nos despedimos do Alexandre e do Nathan (filho do Marco). Já no avião, jantamos carne, salada, queijo, presunto e outras coisas. Depois bastou dormir, dormir e dormir até chegarmos, às 11 45, na capital portuguesa.
   No aeroporto de Lisboa tivemos um bom tempo para descansar e esperar o voo para Bilbao. Fizemos os trâmites, trocamos dinheiro e esperamos. Nessa espera passeamos por várias lojas e numa delas encontramos um manequim vestido como uma típica portuguesa e até brincamos sobre ter encontrado uma namorada logo no início da viagem...hehehe.



   Às seis horas da tarde fomos para Bilbao num avião que eu nunca tinha voado: com hélices. No começo a tensão foi grande, mas tudo ocorreu bem, chegando no destino lá pelas 8 da tarde.

   O desembarque em Bilbao dessa vez foi diferente do ano anterior em Veneza, onde nossas bikes foram extraviadas. Dessa vez nada foi perdido. Nenhuma bike e nenhum adereço. A única coisa foi que o Marco descobriu ter esquecido a barraca e o isolante térmico na casa dele e a princípio a ideia foi de comprar esses itens logo no primeiro dia.


   Começamos a montar as bikes e assim como fazemos em todas as viagens, colocamos a máquina digital para filmar esse nosso serviço e nos distraímos. De repente um funcionário do aeroporto levou o carrinho aonde estava a máquina, mas só fomos perceber isso depois de uns 5 ou 6 minutos. Então o Marco saiu correndo atrás de alguém do aeroporto perguntando se tinham visto a câmera, mas como ninguém tinha visto nada continuamos as montagens das bicicletas. Como tudo pronto pra partir e, na medida do possível, conformados com a perda da câmera, um funcionário veio pedir mil desculpas pelo ocorrido e informou que isso nunca havia acontecido. Paciência.



   Pedalamos um pouco, paramos pra registrar o início da viagem e magicamente o mesmo funcionário que pediu desculpas chamou o Marco e avisou que haviam encontrado câmera. Entregou o nosso pertence e não falou mais nada sobre o assunto, porém associamos que foi um outro funcionário do aeroporto que tinha surrupiado o objeto. Ainda bem que no final tudo deu certo e saímos felizes da vida com as duas câmeras digitais. Começamos a nossa empreitada pela Espanha e Portugal às 10:00 da noite. Ufa!
   Tiramos foto na placa que indicava o aeroporto e a cidade de Bilbao e percorremos sete quiilômetros. Não chegamos em Bilbao pois havia uma autoestrada e não conseguimos encontrar uma estrada vicinal, isso foi falha no planejamento. Droga! Ficamos perambulando, nos perdemos um pouco e como a noite já havia caído, resolvemos ficar em Zamudio - região metropolitana de Bilbao. Chegamos um local bem bonito, com uma igreja e uma torre sendo iluminadas pelas luzes cidade. Perguntando encontramos um hotel, mas antes do check-in resolvemos comer algo no restaurante ao lado. Pedimos a janta mais barata e só depois descobrimos que eram cogumelos e polvo. Éca, odeio polvo, mas era o que tinha pra comer. Comemos tudo com a ajuda de uma coca-cola para descer mais rápido...hehehe.














   Entramos no hotel, tomamos um banho e ainda assistimos o jogo da Eurocopa: Itália e Alemanha. Nosso primeiro dia na Espanha foi tumultuado, porém tudo vale a pena agora que já passou...rs

Zamudio - Pedrosa de Valdeporres - 115 km - 03/07/2016 

   O segundo dia começou com um belo café da manhã antes de sairmos, logo depois das nove, em direção em direção a Bilbao. A ideia era seguir o planejamento, mais caímos numa rota alternativa que fazia parte do Caminho do Norte de Santiago de Compostela.
   No começo desse caminho tudo estava perfeito, mas de repente pegamos uma parte de terra úmida, com subida. Tivemos que empurrar em alguns momentos, pois a bicicleta carregada não tinha tração no terreno úmido e liso. Sofremos por uns dois quilômetros e pudemos ter uma pequena noção de quão dura é a vida de um peregrino...hehehe.







   Após esse "trekking'" logo no início do dia, voltamos ao asfalto e nos deliciamos com um bom declive até encontrarmos alguns policiais e confirmarmos o trajeto. Tudo Ok! Seguimos tranquilamente e entramos na famosa cidade de Bilbao. Um ciclista nos ajudou e foi direcionando nosso caminho pela belíssima cidade. Atravessamos o centro, pegamos uma ciclovia à beira do rio, passamos na frente do estádio do Atlétic de Bilbao e só então chegamos na estrada planejada para o início do dia, a BI-636.


















   As horas já marcavam 10:30, nós estávamos com míseros 20 km pedalados e teríamos mais cento e poucos pra fazer. Naquele momento ficou meio óbvio que a gente não iria chegar no destino do dia e isso acarretaria mais distância a ser percorrida nos dias seguintes. Que M...! 
   Ao sairmos da cidade de Bilbao a BI-636 era bem tranquila, apesar de um sobe e desce leve. Pedalamos poucos quilômetros e fizemos uma parada num posto de gasolina para comprar algumas coisas: bolachas e sucos. Nesse momento aproveitei para arrumar/trocar o parafuso que segurava o selim, pois o que eu havia colocado no aeroporto não segurava o canote e quando me dava conta estava pedalando quase no chão...hehehe.






   Depois fomos pedalando tranquilamente por 50 km até Balmaseda. Nesse trecho encontramos um ciclista de speed que conversou com a gente e tirou algumas dúvidas sobre as regras de trânsito da Espanha, inclusive aquela que na Espanha ciclistas podem pedalar em dupla (lado a lado). A resposta foi que em algumas regiões essa lei é válida, porém nos aconselhou a não abusar. Resolvemos pedalar em fila indiana mesmo...hehehe







   Na chegada a Balmaseda havia uma festa na cidade e o pessoal estava fazendo competição de lenhador, isto é, ganhava quem cortasse um tronco em menos tempo. Filmamos um pouco e fomos numa lanchonete comer torta salgada e tomar um refrigerante. Esse seria o nosso almoço. 
   Depois do "almoço" fomos pro centro da cidade. E que cidade encantadora. Com igrejas, flores, povo fazendo festa, pessoas tocando gaita de fole, vendedores ambulantes fazendo a típica paella (paeja ou paelha) num caldeirão. Até brincamos que a gente queria ir embora, mas a cidade de Balmaseda não deixava...rs













   Pois bem, demoramos mas seguimos e logo encontramos a divisa de regiões: Biskaia (País Basco) e  Castilla y León (Castilha e Leão). Fizemos os devidos registros e seguimos até uma vila chamada La Presilla, onde tomamos mais um refrigerante e comemos algo. Nessa hora lembro de ter mostrado a minha sapatilha pro Marco, pois a mesma estava descolando a sola e a ideia foi colocar aquelas presilhas chamadas de enforca-gato. Que ironia, colocar presilhas na vila de La Presilla...hehehe. OK, OK, essa foi horrível...hehehe






   Após essa parada estratégica, começamos o Puerto el Cabrio. Puerto é o nome que dão para os passos de montanha na Espanha.
   Pelo planejamento essa montanha seria a primeira da viagem, com inclinações de 8% a 11% em 12 km. Porém ela acabou sendo a segunda, porque a primeira foi aquela que fizemos no começo do mesmo dia, no trecho alternativo do caminho de Santiago de Compostela.
   Demoramos aproximadamente 2 horas, debaixo de um sol de 40 graus, para subir. A parte boa ficou por conta da quilometragem que acabou sendo de 9 km em vez de 12 e da paisagem. A partir do momento que começamos o aclive vimos formações rochosas do Parque Nacional Ojos de Guarena e ao completarmos o desafio estávamos quase do lado dessas formações. Tiramos muitas fotos da subida e principalmente do topo, com 740 m de altitude.






































   Depois pegamos uma descida de uns 10 km até Bercedo, onde paramos pra pegar água numa bica. Aqui vale destacar que, assim como vimos na Itália, na Suíça e na Áustria, alguns locais da Espanha tem uma bica/fonte de água potável disponível na calçada. Pegamos água sem se preocupar com possíveis problemas intestinais...hehehe.
   Nesse momento levamos baita um susto, pois os espanhóis falam muito alto e de repente um homem apareceu falando/gritando com uma criança (provavelmente seu/sua filho/a) e pensamos ser com a gente. Quando descobrimos que o indivíduo estava apenas conversando com a criança, rimos do ocorrido.


   Sabíamos que a parte mais difícil do dia havia passado, porém pelo planejamento faltavam uns 50/60 km pra chegar no destino: La Poblacion. Obviamente sabíamos que não seria possível, pois as horas já estavam avançadas e o cansaço já era grande. Decidimos seguir pedalando até o início da noite.
   Pegamos a estrada B1542, paramos em Espinosa de los Monteiros para comer algo e tirar fotos de uma bandeira espanhola e depois seguimos por um belo trecho que fazia parte do caminho do norte de Santiago de Compostela. Aqui vale ressaltar que o nosso roteiro não foi programado para o Caminho de Santiago, mas em muitos trechos, ele cruzava com o famoso trajeto de peregrinação, inclusive nos últimos quilômetros até Compostela (8º e 9º dias).
   Seguimos curtindo o visual do parque Ojos de Guarena do lado esquerdo. Realmente as formações rochosas do parque são uma atração e tanto, podemos dizer que valeu a pena planejar passar por lá.
   No final de tarde chegamos na vila/cidade de Entrambosrios, onde tiramos uma foto imaginando ser o fim da pedalada diária, entretanto não encontramos um bom lugar pra ficar e tivemos que seguir mais um pouco.

















   Enfrentamos uma subida de 3 km e a rochas ficaram mais perto ainda. Para melhorar, o sol estava se pondo, deixando a vista mais linda.
   Sem a luz solar, descemos um pouco e chegamos na cidade de Pedrosa de Valdeporres, onde tinha um albergue do Peregrino que por sorte tinha reaberto a pouco tempo e por isso nem exigiram a credencial de Peregrino.




   O dono do albergue se chamava Jesus e com esse nome é claro que ele nos ajudou....hehehe. Levou-nos até uma pizzaria, onde pudemos comprar algo com mais sustância do que as bobeiras que comemos durante o dia. Levamos a pizza para o albergue e jantamos na companhia de Jesus...amém. Fomos dormir perto da meia-noite, sabendo com o dia seguinte seria bem puxado em relação a quilometragem.

Pedrosa de Valdeporres - Pesaguero - 144 km - 04/07/2016 

   Após umas boas horas de sono, acordamos às 6h da manhã com um tempo nublado para tomarmos o nosso café composto de pizza e bolacha do dia anterior. 
   Depois nos despedimos do Jesus e sua filha e sairmos às sete. Logo de início enfrentamos uma subida de 4 km até a cidade de Argomedo. A subida era íngreme, porém a paisagem era bonita, pois ainda estávamos dentro do Parque Nacional Ojos de Guarena.
















   Vencido esse primeiro desafio do dia, despencamos até a cidade de Soncillo, onde viramos à direita e pegamos uma região muito parecida com os campos de cima da serra, no Rio Grande do Sul. O tempo estava nublado e isso ajudou o deslocamento, mesmo com um sobe e desce constante.
   Passamos por pastagens e lagos durante uns 11 km até que viramos à esquerda e contemplamos o lago Ebro. Pena que o tempo estava nublado, caso contrário seria uma visão ainda melhor. 
   Seguimos beirando esse lago até que encontramos a placa de entrada da região da Cantábria, onde tiramos fotos e filmamos bastante.
















   Nesse momento estávamos na cidade/vila de Corconte e bastou-nos avançar mais um pouco para chegar em La Poblacion, onde deveríamos ter chego no dia anterior. Paramos numa vendinha, compramos pistaches e tomamos chocolate quente, saindo somente às 10h.
   Logo após esse primeiro pit-stop vencemos outra subida íngreme e pedalamos num "plano" até Bolmir, cidade próxima de Reinosa. A metade do dia já havia chego e resolvemos fazer mais uma pausa rápida antes da parada oficial para o almoço.
   Em Bolmir nos deliciamos com iogurte, chocolate, amendoins e uma boa prosa com o dono de uma mercearia.










   Valeu a pena ter feito essa pausa, pois ao seguir tínhamos uma subida de nove quilômetros. Viramos à esquerda, enfrentamos a subida e apreciamos muito o trecho, que continha algumas vilas antigas (incluindo uma com nome de Mataporquera...hehehe) e uma estrada bem legal. O que não estava legal era o sol escaldante que resolveu aparecer...rs




















   Exaustos, principalmente por causa do sol, chegamos em Aguilar de Campoo e não sossegamos até encontrar um local para almoçar. Pergunta vai, pergunta vem, encontramos um restaurante espetacular e enchemos o bucho. Enquanto eu comi frango, fritas, salada e macarrão, o Marco trocou o frango por bacalhau. Muiiiiito bom!
   Aqui vale destacar que nessa cidade fizemos questão de tirar uma foto em homenagem ao nosso amigo Bruno Aguilar...hehehe









   Seguimos nosso destino e 23 km mais tarde chegamos em Cervera de Pisuerga, onde iriam começar outras subidas. Então fizemos mais uma parada estratégica pra refrescar o corpo, pois como já foi dito aqui, o sol começou a castigar no período vespertino. Primeiro fomos num supermercado e depois visitamos uma loja que continha artigos para camping, onde o Marco comprou um isolante térmico. A barraca ficou pra outro momento, pois as que tinham no estabelecimento eram muito grandes.

















  Logo na saída de Cervera começamos a penúltima subida do dia, já dentro do Parque Nacional Fuentes Carriones y Fuentes Cobres. Foram quatro quilômetros, debaixo de um sol escaldante, até um mirante onde pudemos tirar foto das montanhas do parque e, ao fundo, das montanhas dos Picos de Europa, que seriam enfrentadas em seguida. Haja subida!
   Ficamos descansando uns 30 minutos no mirante até seguirmos por um pequeno trecho plano e depois uma descida até a cidade Vannes. Nem entramos na cidade porque fomos pro outro lado, onde tem um lago. Fizemos um vídeo bem bonito da descida do lago e quando atravessamos uma ponte que passava por ele, começou a nossa última subida/montanha do dia.


























   O bom de fazer um planejamento minucioso é que já sabíamos de todas essas subidas/montanhas citadas, ou seja, o nosso psicológico já estava preparado. Por exemplo, tínhamos a consciência que essa única montanha teria 17 km com 400 m de desnível e seu nome era Piedras Luengas. 
   No começo da subida a velocidade era de 15 km/h, mas a medida que o tempo foi passando a inclinação aumentou e o nosso ritmo diminuiu. Quase no final, faltando uns 7 km, uma densa neblina fechou nosso campo de visão, mas mesmo assim ficamos boquiabertos com o visual fantástico das formações rochosas nos últimos quilômetros. O final ainda nos reservou uma imagem fantástica, pois passamos entre as rochas, como se fosse a serra do Corvo Branco, em Santa Catarina.

























   No topo apenas registramos o momento, colocamos o anorak e iniciamos a descida de aproximadamente 40 km. A ideia era fechar o dia no fim da descida, na cidade de La Hermida e assim deixar o atraso de 20 km que tínhamos. Entretanto uma das coisas que são praticamente imprevisíveis, sendo inviáveis para colocar no planejamento, é o tempo. Foi ele nos fez parar no meio da descida, pois enfrentamos, no escuro, uma tempestade com muitos raios e trovões. Parecia cena de filme de terror...hehehe







   Encontramos um hotel logo após a placa que indicava a cidade/vila de Pesaguero. Tremíamos de frio na porta do hotel e mesmo o preço não sendo muito convidativo, era o que tinha pro dia. Tomamos um banho bem quente, jantamos e dormimos perto da meia-noite novamente.




   Completamos 144 km no dia, menos do que a gente tinha planejado, mas isso não ia mudar em nada nosso planejamento do dia seguinte.

Pesaguero - Picos de Europa - Benia de Onis - 104 km - 05/07/2016 

   O terceiro dia de pedalada na Espanha começou cedo com o término da descida que interrompemos no dia anterior por causa da chuva. Descemos com um pouco de frio até o trevo que vai pra cidade de Potes, onde paramos pra tomar um café.








   Aqui vale destacar que esse terceiro dia era um dos temidos da viagem. Temidos e mais importantes e, porque não dizer, mais ansiosos da viagem. Tudo pelo motivo de ser um dia com uma montanha mítica da Vuelta a España: Lagos de Covadonga, onde algumas vezes os melhores ciclistas de estrada duelaram em cada curva. Mas é claro que para chegar nessa famosa montanha, antes deveríamos percorrer um longo trajeto e por isso paramos para o, já citado, café.
   Com a pança cheia viramos pra direita no trevo, entramos no Parque Nacional Picos de Europa e começamos atravessar o desfiladeiro La Hermida, que fica entre as regiões da Cantábria e das Astúrias. Um lugar fantástico.


















   Seguindo o curso do rio Deva, sempre ao nosso lado, momentos à direita, momentos à esquerda, dependendo número de pontes que atravessávamos, fomos avançando pelo desfiladeiro, sempre com os picos Europa do lado esquerdo. As montanhas eram muito parecidas com as Dolomitas e isso nos fazia admirar ainda mais aquela região. Aproveitamos ao máximo esse trecho, inclusive "perdemos" a chance de ter mais um companheiro de viagem por causa da paisagem: Encontramos um ciclista francês chamado François, porém apenas trocamos poucas palavras, pois ele não falava nem espanhol, nem inglês e obviamente nosso francês é quase nulo. Além disso ele estava num ritmo maior, enquanto a gente queria curtir o local.















   De repente começou uma garoa que durou todo resto do desfiladeiro, porém isso não tirou a beleza do lugar. Entramos nas Astúrias, tiramos foto na placa, e decidimos mudar um pouco o roteiro: O planejado era virar à esquerda e já pegar uma montanha de 11 km, nos Picos de Europa, mas como o tempo estava ruim e a gente também atrasou nos dias anteriores, seguimos reto pelo desfiladeiro e paramos para um lanche na cidade de Panes às 11h da manhã.
   Molhados, sujos e com fome, compramos iogurtes, chocolates, bolachas, maçãs e devoramos quase tudo na frente do mercado/mercearia. Praticamente um piquenique na calçada...hehehe










  Depois fomos em direção a Arenas de Cabrales, com muitas subidas e poucas descidas. A região continuou belíssima, pois mesmo tendo mudado de direção ainda podíamos contemplar os Picos de Europa. O que havia mudado era o rio, que agora se chamava Cares e estava no sentido oposto ao nosso, ou seja, estávamos subindo...hehehe.
   Também podíamos ver as trilhas do parque, onde as pessoas podem caminhar e/ou correr com a vista do belíssimo rio de cor verde esmeralda.















   Em Arenas de Cabrales o Marco decidiu comprar um corta-vento, pois o dele tinha rasgado. Eu aproveitei o bom preço e comprei mesmo que ele, porém escolhemos cores diferentes. Um pouco mais adiante, em Poo de Cabrales, paramos num restaurante, pedimos o prato mais barato e nos saciamos com uma boa comida. O fim do almoço rendeu uma foto bem legal: Nós descansando tranquilamente, praticando o "deboísmo"...hehehe




   Após o almoço voltamos para o caminho planejado, ou seja, subidas. Devagar percorremos 10 km num aclive que começou leve, porém aos poucos foi ficando mais íngreme. Ao final podíamos ver a estrada percorrida e essa é sempre uma sensação boa, pois representava mais um desafio vencido. No topo estava a cidade de Ortiguero, onde sabíamos que iríamos despencar até Benia de Onis para depois começar a famosa montanha dos Lagos de Covadonga.













   Aproveitamos ao máximo a descida, viramos à esquerda e um misto de medo e ansiedade tomou conta de mim, afinal tínhamos começado a subidaça. 
   As horas marcavam cinco e pouco da tarde e como escurecia sempre 10:30 da noite, estávamos tranquilos em relação ao tempo. Porém logo nos primeiros quiilômetros descobrimos que o tempo seria pouco. Droga!
   Como devagar se vai longe, nossa velocidade não ultrapassa 5 km/h. Fomos curtindo o lugar, cada vez mais vendo as montanhas, cada vez mais curtindo a paisagem e depois de aproximadamente 6,5 km chegamos numa vila chamada Demues, onde iniciamos a parte mais ferrada da subida.









   Aqui vale lembrar que não estávamos subindo pelo mesmo lado dos ciclistas profissionais. Pegamos um caminho alternativo, bem mais íngreme em alguns momentos, e no dia seguinte a ideia era descer pelo lado "correto".
   Logo no início da parte mais complicada descobrimos que tudo pode piorar, pois o asfalto deu lugar a terra e em alguns momentos (nas partes bem íngremes) um concreto repleto de ranhuras para evitar fugas do gado (tipo um mata-burro de concreto). As inclinações nessas partes de concreto chegaram ao absurdo de 26%.

   Na marcha mais leve sofríamos para avançar. Devagar e com muita dificuldade, pois a nossa carga era grande, fomos avançando. O Marco estava com a marcha leve muito gasta, que a cada pedalada fazia um estralo bem forte. Para evitar maiores problemas com a relação (coroas, cassete e corrente) ele começou a empurrar nos trechos que exigiam muito da bike.
   Como se já não bastasse a dificuldade da estrada de terra com trechos altíssimos de inclinação ou o concreto cheio de ranhuras, a neblina voltou e à medida que aumentamos a nossa altitude ela foi se tornando uma garoa forte. Em pouco tempo estávamos completamente molhados e não enxergávamos 200/300 m a frente.
   Subimos, subimos e subimos até uma pirambeira acima de 25%, onde meu corpo já não aguentava mais. O Marco estava um pouco atrás, mas eu não o via por causa da neblina. Nesse momento eu tive que empurrar e lembro que o Marco gritava: Aramis, como está a subida aí? E eu respondia: Está tão complicada que estou empurrando...hehehe.
























   Pois bem, depois de muito sofrimento chegamos no topo, onde não tinha pra onde seguir. Havia somente uma trilha de pedras pontiagudas. Verificamos o local mas não conseguíamos ver muito além e com isso não dava pra saber se a trilha seria curta ou longa. Ali descobrimos um erro grave no planejamento. Como não vimos essa trilha? Por que não fomos pelo trajeto de asfalto? 
   Verificando a trilha tivemos que tomar uma decisão frustrante: voltar pelo mesmo caminho. Que M...! Se o tempo estivesse aberto pelo menos conseguiríamos ver os majestosos Lagos de Covadonga e talvez isso nos animasse a carregar as bikes pela trilha, porém isso não aconteceu e voltamos todo o trajeto descrito acima.



   E para quem pensa que a descida é mais tranquila, naquele momento não. Pois como a inclinação era muito grande e a neblina muito forte, a gente não conseguia frear e em alguns momentos tivemos que, literalmente, arrastar a sapatilha no chão, caso contrário rolaríamos morro abaixo...hehehe
   Novamente no asfalto continuamos descendo e lembramos que havia uma bica propícia para lavar as bicicletas que estavam imundas.
   Já no escuro chegamos em Benia de Onis, onde encontramos um hotel barato para um bom banho, uma ótima janta e uma bela noite de sono.




   Obs: depois que a viagem acabou, já em casa, descobri que a trilha tinha um pouco mais de 1 km e isso me deixou mais frustrado ainda. Certeza que um dia volto para conhecer os Lagos de Covadonga.

Benia de Onis - Mieres - 100 km - 06/07/2016

   O quarto dia de pedalada foi bem tranquilo, com apenas 100 km bem monótonos.
  Como estávamos cansados dos dias anteriores, acordamos tarde e ainda eu pude dormir um pouco mais, pois o Marco acordou uma hora antes pra mexer na marcha que estava pulando, como relatado acima.


  Saímos um pouco tarde, 8:45 da manhã, pedalamos 15 km até Cangas de Onis e fizemos uma parada estratégica no centro da cidade: Eu precisava tirar dinheiro num caixa eletrônico...hehehe





  Depois seguimos por um trecho bem chato até Arriondas, onde pegamos a estrada N-634. Infelizmente a monotonia continuou.
   Nessa N-634 enfrentamos uma subida fraca, mas constante, encontramos um porco-espinho morto na pista, visitamos uma bicicletaria em Villamayor e paramos pra almoçar na cidade de Nava, com aproximadamente 55 quilômetros pedalados.
   Pra compensar toda a chatice do dia encontramos um belo restaurante com um garçom brasileiro (Edson), onde comemos sopa de bacalhau com grão-de-bico, sopa de camarões gigantes e carne de porco temperada com cidra. Foi uma delícia.










   Comemos muito, mas muito mesmo e após nos despedirmos do Edson decidimos cortar um pouco de caminho por dentro de Nava e das outras vilas. As subidas aumentaram, porém o caminho foi bem mais bonito e melhorou consideravelmente o nosso ânimo.
  Ganhamos alguns quilômetros e depois voltamos para o roteiro planejado, já na estrada AS-119. Enfrentamos uma subida de 2 km e depois uma descida alucinante de 10 km até a entrada da cidade de El Entrego. Contornamos essa cidade e seguimos para Sama com a ajuda de algumas informações coletadas com policiais.
   Em Sama fizemos uma pequena parada, pois sabíamos que o objetivo era transpor uma pequena montanha de cinco quilômetros. Montanha que, depois dessa pequena parada, foi vencida tranquilamente, apesar de ser bem íngreme em alguns trechos.



















   Terminada a subida, colocamos a câmera pra filmar e descemos com um começo de chuva. Foram uns 10 km até a cidade de Mieres, nosso destino do dia. As horas marcavam 17:45, ou seja, terminamos bem cedo o trajeto do dia. O problema foi encontrar um local pra ficar, pois primeiro ninguém soube nos indicar um hotel barato e quando finalmente achamos um albergue do peregrino, não fomos autorizados a ficar, porque não tínhamos a tal credencial. Pelo menos o pessoal do albergue nos mostrou a direção de um hotel, onde conseguimos descansar e nos alimentar bem, pois o próximo dia seria um daqueles temidos: O dia de subir a mítica montanha do Angliru








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Mieres - Angliru - Pola de Lena - 61 km - 07/07/2016 

   Um dia mágico, muito difícil, mas mágico. 

   Acordamos cedo, tomamos café no hotel e saímos às 7:50 com uma grande meta: Subir pedalando a temida e mítica montanha do Angliru, conhecida como o inferno dos ciclistas. Uau!
Para quem não conhece a fama do Angliru, veja os últimos cinco minutos do vídeo abaixo, onde tem-se a última etapa da Vuelta España 2017.

   Pois bem, pedalamos míseros 11 km bem tranquilos, pela estrada N-630, até Santa Eulalia de Morcín e depois começamos a subir os 18 km programados. Dezoito quilômetros? Não seriam 12,5? Sim para as duas perguntas, pois estávamos fazendo a subida por um outro lado e com isso a distância seria maior que os oficiais 12,5 km do Angliru.






   Devagar fomos avançando "sem" muitas dificuldades nos cinco primeiros quilômetros, onde se encontra a localidade de El Pumar. Depois a estrada intercalou pequenos trechos de descida leve e aclives bem fortes até a bifurcação programada para entrarmos na rota original da montanha e, por consequência, na parte mais difícil.
   Acho que nem é preciso dizer quão bonito era o local, com uma estrada estreita e bem sinuosa que ia avançando em meio à pequenos vilarejos. Junte a tudo isso uma forte neblina e muito verde pelo caminho. Show!














   Na bifurcação ficamos alguns minutos descobrindo o caminho a seguir e o Marco verificou que um dos caminhos era só o acesso a uma lanchonete...hehehe
   Então fizemos uma parada estratégica para repor as energias (tomando um refrigerante) e conhecemos um casal que também iria ao topo do Angliru. Porém éramos os únicos malucos a subir carregados.
   Nossa partida da lanchonete se deu por volta das 11h, antes do casal. Conforme planejado percorremos 1km quase plano e depois nos ferramos....hehehe
   Utilizávamos a marcha mais leve possível e mesmo assim a força aplicada nos pedais era descomunal. As inclinações começaram a ficar num intervalo entre 10 e 24 % durante 6,5 km, ou seja, muito difícil.
    Estávamos sofrendo, mas também estávamos curtindo o momento. Não é todo dia que nossos limites são postos à prova num local mítico e espetacular.






Após dois quilômetros e meio de puro sofrimento, ultrapassamos as nuvens (neblina) e a região se mostrou ainda mais bela. O problema é que, sem a densa neblina, o sol passou a ser mais um desafio a ser vencido.
   Devagar, mas bem devagar mesmo, continuamos a subida, tirando muitas fotos e registrando tudo em vídeos curtos. Em diversos trechos há placas indicando o nome e a inclinação daquela parte e sinceramente acho que isso não fazia bem pro meu psicológico, pois o sofrimento vinha com antecedência....hehehe
   De repente o casal que encontramos na lanchonete nos passou, porém em alguns momentos eles empurraram, nós não. 
   Subíamos um trecho bem complicado, descansávamos um pouco e partíamos pra outro trecho igual ou mais difícil ainda. Assim fomos avançando até uns 500m antes do fim, onde o terreno fica praticamente plano. Então comemoramos muito e chegamos na placa que indica o Alto do Angliru com um sorriso enorme estampado no rosto. Foi impressionante, menos de dois dias depois de uma frustração nos Lagos de Covadonga, estávamos radiantes com a conquista do Angliru.




























































   Fizemos todos os registros possíveis e começamos a descida pelo mesmo caminho que subimos. Acho que é o único caminho...hehehe
   Não vou relatar a descida, mas deixo abaixo os vídeos que mostram a subida e a descida, respectivamente:


   Pra finalizar o dia, almoçamos na mesma lanchonete citada anteriormente, descemos pelo caminho original até La Vega, enfrentamos um outra montanha e despencamos até a cidade de Pola de Lena, onde finalmente conseguimos uma credencial do peregrino e uma estadia num albergue. Aqui vale destacar que a outra montanha enfrentada tinha uma inclinação média de 8% em 8 km, mas estávamos num êxtase tão grande pelo êxito do Angliru, que simplesmente passeamos nela.











   No fim comemos um x-salada enorme e dormimos o sono dos justos.

2 comentários:

  1. Hola, chamigos
    Aguardando o relato da viagem rsrs (me facilitará traçar meu roteiro)
    (grande semelhança neste texto e no de "Patagonia - de El Calafate a Ushuaia kkk)

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    1. Tenho que começar a relatar essa aventura logo, pois caso contrário vou esquecer muitos detalhes importantes...heehhe
      A semelhança é culpa do Marco. Os dois textos são dele....heheheh

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