Do Atlântico ao Pacífico

Projeto Espanha e Portugal - 2000 km

quinta-feira, 30 de junho de 2016

   Sei que estou devendo o relato da pedalada entre Rio Branco e Cusco, porém a vontade de se aventurar mais uma vez pelo velho continente falou mais alto. Novamente farei uma pedalada com o grande Marco Brandão e ao julgar pela experiência que tivemos pedalando juntos em julho de 2015, essa nova empreitada também será um sucesso.
   A ideia é pedalar por: Bilbao, Lagos de Covadonga, Picos de Europa, Monte Angliru, Peregrinação de Santiago de Compostela, Vigo, Porto, Estrada 222 (a melhor do mundo em 2015), Serra da Estrella, Coimbra e Lisboa.

   Abaixo deixo o roteiro, o álbum com todo o planejamento e o texto escrito pelo Marco, explicando como surgiu a ideia dessa nova aventura

https://www.facebook.com/PedalandoSFronteiras/photos/?tab=album&album_id=581332765377797



Texto do Marco:

   NOVO PROJETO [ VERSÃO PARA QUEM GOSTA DE LER UM POUCO MAIS ] :D

   Agora finalmente, podemos responder a pergunta habitual que todos nossos amigos do dia a dia fazem:
   E então seus malucos, para onde é a próxima ? kkkkkk
  O roteiro da nova empreitada surgiu através de meses de conversa que o Aramis e eu travamos pelos undergrounds do whatsapp e facebook. Debatemos muitas opções de lugares. Escolhemos, decidimos, planejamos e estudamos o roteiro a seguir:
   A partida se dará na cidade de Bilbao comunidade autônoma do País Basco na Espanha, que só para não ser diferente, é uma cidade cercada por cadeias de montanhas, até porque a Espanha é um dos países mais montanhosos da Europa. ( Obrigado Aramis eu queria apenas Portugal, e você começou a colocar as montanhas do Giro de España no roteiro só para me lascar, valeu ... kkkkkkk )
   Ou seja, partindo de Bilbao seguiremos rumo a Cordilheira Cantábrica em direção ao Parque Nacional de los Picos de Europa ( acho que esse nome já explica tudo né ? ). Em seguida, para a fronteira com a Castilla até a exuberante região dos Lagos de Covadonga. Passando pelas Astúrias, Castela e Leão, Pico Angliru ( uma das maiores montanhas do Giro de Espanha ) e pelo caminho francês da peregrinação, pretendemos chegar a Galícia, mais precisamente na internacionalmente famosa cidade de Santiago de Compostela, um dos destinos de peregrinação cristã mais famosos do mundo. Dizem que o peregrino que vai a Santiago sofre grandes mudanças interiores. Eu me arrisco a dizer que quem viaja de bicicleta também sofre grandes mudanças, afinal tudo está ligado a fé, determinação, persistência, penitência, abdicação e humildade.
   Em Santiago estaremos praticamente com metade do percurso pedalado, e o próximo passo, é seguir no caminho de peregrinação português, nesse caso no sentido inverso, ou seja, voltando para Lisboa cruzando a fronteira entre Espanha e Portugal. Entretanto, montamos esse caminho com interesse de percorrer e conhecer alguns lugares da terra natal da minha mãe e minha família.  Escolhemos conhecer um pouco da região costeira, nas cidades de Vigo e Porto, e para deixar o percurso ainda mais especial no quesito “ subidas “, pretendemos fazer um desvio para o interior, seguindo o rio Minho até alcançar a região montanhosa de Portugal onde está localizada a famosa Serra da Estrela, que para nós aqui no Brasil, se equivale a Serra do Rio do Rastro, com direito a muita neve e frio na estação de inverno. Lembrando que estaremos em pleno verão europeu, e eu só torço muito para que não façam temperaturas muito altas, porque eu prefiro mil vezes o frio.
    Contornando e subindo toda a região do Parque Natural da Serra da Estrela, voltaremos sentido Coimbra, passando pelas cidades de Fátima e Leiria, com o objetivo final de chegar a capital portuguesa, Lisboa.
   Lá estando, quero tirar uma foto com meu primo Nuno Alves, visitar o bairro onde viveram os avós que me criaram ( Celda e Chico ) e onde permeiam todas as histórias por eles contadas de uma Portugal sofrida nas mãos do ditador Salazar, grande motivo de imigração portuguesa a procura de melhores condições de vida e trabalho no Brasil na época. Conhecer o estuário do rio Tejo de onde saíram as Caravelas que aqui no Brasil aportaram no ano de 1500, apreciar bastante a culinária portuguesa, beber vinho do Porto e comer muitos pastéis de Belém em Belém, e finalmente ver a cabeça do bacalhau. Kkkkkkk :D
   Muita gente tem curiosidade sobre os CUSTOS de uma viagem como essa. Eu diria que estando com o passaporte em ordem, a despesa maior fica por conta da passagem,que nesse caso troquei por milhas do cartão de crédito ;) ... estando no lugar escolhido para pedalar, dispomos de barracas para dormir em Campings e Albergues por 10 euros, compramos comida nos mercados e preparamos ( é barato ), e quando não, qualquer refeição de 6 euros enche o bucho. Água tem a vontade pelo caminho, além da hospitalidade que por muitas vezes trocamos e conseguimos com carisma, amizade e boa conversa.
   Outra curiosidade a ser esclarecida: as bikes não são ultra bikes, são mountain bikes que podem custar em torno de 850,00. Já vi cicloturistas por aí viajando de Barra forte ... ;)
   Acho que desta vez não teremos problemas com o idioma ... kkkkkk
  Contamos muito com a boa energia, apoio, respaldo e torcida de nossos familiares e amigos ! E desde já em AGRADECEMOS IMENSAMENTE, todo o o carinho e apreço recebido ao longo desses anos de amizade, seja no dia a dia ou na internet. MUITO OBRIGADO MESMO !!!
   Nos organizamos e nos esforçamos muito para mais uma vez fazer algo que gostamos demais, viajar de bicicleta por alguns dias. Interagir com o meio, somar e dividir !
   Onde está seu coração, aí está o seu tesouro.
Deus abençoe cada um de nós !

15 Montanhas - Itália, Suíça e Áustria

domingo, 16 de agosto de 2015


   Desde julho de 2012 quando visitei o velho continente pela primeira vez, tive vontade de voltar pra lá, pois a sensação de pedalar pelos Alpes é única. 
   Comecei a pesquisar lugares e me deparei com a região das Dolomitas, na Itália. Fiquei fascinado e decidi que o ápice seria lá. Entretanto, não valeria a pena viajar para tão longe e pedalar só uns 300 km, foi então que surgiu a ideia de passar novamente pelo Passo Stelvio. Perfeito! Aos poucos outros passos foram incluídos no trajeto e com a confirmação do amigo Marco A. O. Brandão na viagem, adicionamos uma passagem pela Suíça e pela Áustria. No fim o roteiro ficou com 15 montanhas para serem vencidas em 13 dias. Bem pesado, mas muito belo também.


   Aos poucos vou colocando os vídeos e o relato aqui.




Fotos do meu facebook     

03/07/2015 - Deslocamento até Veneza

   Pois bem, depois de muito planejamento tudo ficou acertado para o dia 3 de Julho de 2015. Trabalhei durante o período da manhã e logo peguei carona para o aeroporto de Curitiba onde Marco Brandão, seu filho Nathan e o Alexandre, funcionário e amigo do Marco.
    Fizemos o check in online, despachamos as bicicletas, nos despedirmos do Alexandre e do Nathan, comemos um sanduíche e esperamos um pouquinho nosso voo para Guarulhos, onde tivemos uma grande correria para pegar a outra aeronave que nos levaria para a Europa.
   Ao chegarmos em Frankfurt fizemos rapidamente os trâmites e esperamos um pouco para seguirmos até Veneza, chegando na famosa cidade italiana perto das 16h e quão grande foi a nossa surpresa ao descobrirmos que a nossa bagagem, bicicletas, não estavam lá.
   Assim começamos com o primeiro perrengue: preparados para fazer uma cicloviagem, porém sem as bicicletas e sem um dos alforjes. Que M....!

   Ficamos por horas no aeroporto esperando e tentando localizar nosso equipamento junto ao departamento de “Achados e Perdidos”, e por fim resolvemos deixar a área das esteiras, que por sinal era bem sofisticada, aliás, a partir dali, sofisticação e primeira qualidade passavam a ser padrão e sem qualquer custo extra.
   Para podermos receber nossas bagagens assim que fossem localizadas, precisaríamos ter um endereço fixo além do contato telefônico, foi onde tivemos que nos hospedar em um hotel que fosse barato e perto do aeroporto, e não estávamos preparados para tal, pois nossa ideia inicial de roteiro era seguir diretamente do aeroporto.
   Andamos durante um bom tempo procurando hotel e tivemos um pouco de dificuldade para entender o que as pessoas falavam, afinal o italiano não é tão fácil quanto parece.
   Com muita paciência conseguimos chegar no Titian-inn, relativamente próximo ao aeroporto.

   Depois de instalados fomos passear um pouco na vila/cidade de Tessera e acabamos esquecendo por alguns instantes do cansaço da viagem e do perrengue que passamos.
   Jantamos alguns pedaços de torta salgada, voltamos para o hotel e fizemos nosso plano B, isto é, não iríamos começar a viagem no dia seguinte, mas sim trocar o último dia que seria de folga em Veneza para o primeiro. Dormimos assistindo um compacto Tour de France daquele dia.



05/07/2015 - Veneza, a cidade flutuante

   Acordamos às 7:30 da manhã e tomamos um ótimo café com pães, Nutella, doces, frutas, suco, iogurte, etc.
   Perto das 10h voltamos a pé até o aeroporto e esperamos um longo tempo até encontrar o local correto para pegar as bicicletas, pois nos achados e perdidos a mulher nos mandava pra um lugar e fechava a porta, mas como não encontrávamos o bendito local, voltávamos a estaca zero.
   Só depois de um longo tempo entendemos que a porta onde deveríamos entrar estava um pouco escondida. Ufa, que alívio!
   O Marco foi quem entrou para pegar as bicicletas e eu fiquei esperando para tirar a foto que simbolizou a nossa indignação com a situação.....hehehe
   Levamos as caixas para fora do aeroporto e começamos a montar as bicicletas. Enquanto isso a dúvida não saía da nossa cabeça: Como eles conseguiram perder duas caixas de dois metros de altura?
   Perto do meio-dia terminamos a montagem e o Marco teve a brilhante ideia de esconder as caixas atrás de uma coluna de concreto, pois daqui duas semanas iríamos precisar delas novamente.



   Voltamos felizes da vida para o hotel, pois finalmente estávamos pedalando na Itália, na Europa.
   Já no hotel, o Marco reconheceu os músicos do Playing for Change e tirou uma foto com o Grandpa Elliot. Eu confesso que não os conhecia e acabei nem tirando foto.


   Nos livramos da sujeira deixada pela montagem das bicicletas, comemos alguma coisa e partimos conhecer Veneza, a famosa cidade flutuante.
   Pedalamos por aproximadamente 7 quilômetros na Via Orlanda até o trevo. Nesse pequeno trecho passamos pelo distrito de Campalto e vimos alguns campings que seriam importantes duas semanas depois.

   Em seguida viramos pra esquerda, pedalamos mais um pouco e logo avistamos a placa de boas-vindas a Veneza. Mesmo com o trânsito um pouco alto, conseguimos registrar um momento histórico. Como disse o Marco:
   "Foi a partir daí que a ficha realmente caiu. Estávamos no Velho Continente, mais precisamente na Itália! Terra das massas, dos vinhos e do Giro d´Itália! Além de muito conhecida pela sua deliciosa gastronomia, a Itália é a quinta nação mais populosa da Europa, um dos países mais bem desenvolvidos do mundo e com melhor índice de qualidade de vida entre os dez primeiros do planeta, e onde se localiza a cidade de Roma, a capital italiana, que foi durante séculos o centro político e religioso da civilização ocidental como capital do Império Romano e como sede da Santa Sé. Palco do início das primeiras civilizações e berço de artistas consagrados e dos mais importantes de todos os tempos, como Leonardo da Vinci entre outros. O encantamento por suas belíssimas paisagens, sua vasta riqueza histórica e cultural estava garantido." 


   Depois vimos e atravessamos a Ponte la Libertà, que liga a ilha ao continente, chegando direto na piazzale Roma.
   Como as horas já estavam adiantadas resolvemos almoçar por ali mesmo. Comemos uma deliciosa pizza e depois fomos conhecer a histórica, clássica Veneza.






    Ao atravessarmos a ponte Della Costituzione desfrutamos de toda beleza dessa cidade surreal.
   Fotos e mais fotos, vídeos e mais vídeos foram feitos, mas nenhum registro substitui a emoção in loco.














   Entre dezenas de pontes e canais, fomos pedalando ou empurrando nossas bicicletas. Entre milhares de turistas de todo o mundo nos perdemos pelo caminho, mas logo descobrimos o trajeto correto para se chegar a ponte Rialto construída em 1558) e uma das obras-primas da arquitetura local. Fotografamos tudo: canais, flores, gôndolas com seus gondoleiros, pessoas e é claro, nós em Veneza.


















   Ao chegarmos na ponte Rialto descobrimos que a mesma estava em reforma, mas mesmo assim tiramos algumas fotos dela com o grande canal de Veneza.


   Aqui vale destacar que só neste momento eu consegui tirar dinheiro no caixa eletrônico, pois o besta aqui tinha esquecido a saque seria em euros e estava tentando tirar uma quantia que ultrapassava o limite diário. Que burro, dá zero pra mim...hehehe
   Em seguida nos dirigimos para Basílica de São Marco formada por cinco cúpulas, impressionantes mosaicos, paredes, arcas e colunas com muitos detalhes dourados que refletiam a luz do sol confirmando assim ser um dos principais cartões postais de Veneza. 
   Tiramos muitas fotos, fizemos alguns vídeos, tomamos sorvete na praça e depois andamos mais alguns metros para ver a Laguna de Veneza que faz parte do Mar Adriático.















   O tempo passou rápido e quando vimos já estava na hora de voltar.
   Como já estávamos familiarizados com a cidade, bastou seguirmos as placas para a praça de Roma, onde voltamos ao asfalto.
   Finalizamos o dia com um delicioso espaguete.

    Deixo aqui um parágrafo do relato do Marco:
   "Entre dezenas de pontes e canais, entre becos e ruas sem saída, entre milhares de turistas de todo o mundo, entre barracas de frutas e artesanatos que retratam o carnaval, as máscaras e os mascarados de Veneza, os cheiros e os sabores, gelatos e souvenirs, nos perdemos e nos encontramos, hora seguindo Per Rialto, hora Allá Ferrovia, e quando fomos avisados que ali não se podia transitar com as bicicletas, já era hora de voltar para o hostel Titian -inn, porque às 21h00min o dia começaria só então a escurecer..."

06/07/2015 - Veneza/ITA - Lago di Caldonazzo/ITA - 147 Km

   Havia chego a hora de partir. Acordamos cedo, tomamos um delicioso café da manhã e saímos às 9h com um calor infernal. Na verdade pegamos uma onda de calor em quase todo o tempo que estivemos na Europa. Paciência.
   Pedalamos os 7 km já conhecidos até o trevo de Veneza e depois viramos para a direita, sentido Scorze.
   Como eu já havia conhecido o norte da Itália em julho de 2012, deixo aqui as palavras do Marco, que descrevem perfeitamente essa região:
   " Muitas ciclovias, ciclofaixas, flores, rios, igrejas, monumentos, plantações; muita organização, muito zelo, disciplina, limpeza e muito respeito com os ciclistas estrada afora, província afora. Para completar nossa felicidade de estar ali, descobrimos durante uma compra no primeiro mercadinho (em Scorze), que o refrigerante que custava € 4,00 em Veneza, a partir dali passaria a custar € 1,00, ou seja Veneza é uma cidade turística, portanto cara, mas agora nossos próximos dias seriam de grande economia, não só com o refrigerante, mas com toda a imensa gama de produtos que encontraríamos."




  Depois passamos por Trebaseleghe, Castelfranco Veneto e paramos para almoçar em Rosa, com 62 quilômetros percorridos.














   Foi um alívio enorme parar para almoçar, pois o calor estava muito forte...hehehe
   Também foi nesse almoço em Rosa que descobrimos o Spaguetti ao Ragu. Nosso "arroz com feijão" italiano, tanto pelo preço quanto pela sustância.

   Almoçamos, descansamos e seguimos, com 38ºC, em direção a Bassano Del Grappa, uma cidade histórica, principalmente na questão das guerras mundiais.





   Após del Grappa, entramos na belíssima e movimentada strada provinciale 47 (SS47). Aqui vale destacar que mesmo movimentada, em nenhum momento nos sentimos em risco, pois os motoristas tem um respeito enorme pelos ciclistas. Bem diferente de certos lugares que conhecemos....hehehe


   Nesse momento o caminho já não era mais plano e sim uma leve subida, que duraria um longo tempo.
   Em alguns momentos a estrada cruzava o límpido rio Brenta, porém não podíamos apreciá-lo muito enquanto pedalávamos, pois o trânsito era intenso. Foi então que fizemos uma parada em Valstagna e ganhamos a dica de pedalar numa rua paralela à SS47. Perfeito!
   Quando viramos à sinistra (esquerda), atravessamos uma ponte sobre o rio Brenta e ficamos maravilhados com o local. A combinação entre flores, montanhas e rio era fantástica. Ficamos alguns minutos fotografando, filmando e curtindo o local.








   Depois seguimos paralelamente a strada provinciale e pudemos nos deliciar com toda beleza da região. Começamos a ver muitos ciclistas tanto de speed quanto de MTB e só então descobrimos que estávamos na Ciclopista del Brenta, uma famosa rota cicloturística da Itália. Deixo aqui o trajeto dessa ciclopista: http://bicicletta.bonavoglia.eu/itinerari/brenta.html





























   Passamos em meio à árvores, vimos plantações de maçãs, cruzamos várias vezes o rio, incluindo um banho do Marco nele e quando voltamos para a estrada, fizemos uma rápida parada em Borgo, onde ganhamos refrigerantes do dono, pois o mesmo era um grande admirador do Brasil.





   O bom é que já estávamos conseguindo compreender bem melhor o idioma italiano. Compreender sim, falar não....hehehe
   Nesse momento eu já estava ficando preocupado com horário, pois logo o dia iria acabar, mas o Marco com toda a sua serenidade me tranquilizou. Então seguimos para Roncego, Levico e Caldonazzo.
   O último trecho ainda revelou subidas um pouco mais fortes, mas nada muito difícil, apenas chatas. E foi no fim de uma delas que começamos a ver placas dos lagos e pudemos decidir em qual deles iríamos acampar. Nossa opção foi seguir o roteiro programado e virar à esquerda até Caldonazzo.
   A noite já estava começando a cair quando chegamos no nosso destino do dia. Tiramos uma foto da placa que indica a cidade e fomos à beira do lago procurar um camping.






   Depois de instalados, com banho tomado, fomos jantar. Eu comi pizza e o Marco uma sopa de verduras/legumes, porém o mais interessante foi o refrigerante que tomamos, pois o copo era de um litro. Se tivesse na garrafa não faria tanto sucesso mas o tamanho do copo nos assustou...:o
   Finalizamos o dia com 147 quilômetros percorridos.
   Deixo aqui mais uma parte do relato do Marco, que descreve perfeitamente como eram os campings e a segurança dos locais por onde passamos:
   " Que os Campings na Europa eram bem organizados, de boa qualidade e alto nível, isso nós já havíamos pesquisado, mas agora podemos afirmar de experiência própria que são realmente excelentes. Tomo a liberdade de compará-los aos Hotéis Fazenda que frequentamos com a família nas férias, pois até atrativos para as crianças eles oferecem por lá. Serviço de lavanderia, micro-ondas, trocador de bebê, passando pela sofisticação, higiene e limpeza dos banheiros, segurança e até mini mercados e mini padarias em seus interiores com preços compatíveis de mercado e não mais caros por isso, e normalmente custam a partir de € 10,00 a € 15,00 por pessoa.   Em todos os dias da viagem, deixamos as bicicletas completamente soltas, sem cadeados por todos os lugares onde estivemos, assim como o celular e as baterias carregando nas tomadas dos banheiros, onde só retirávamos no dia seguinte. Comum ver aparelhos eletrônicos e outros pertences deixados pelos lugares, a verdade única é que ninguém mexe no que não lhe pertence, não deveria, mas nos surpreende." 

07/07/2015 - Lago di Caldonazzo/ITA - Lodrone/ITA - 104 Km

   Como no dia anterior chegamos ao lago de noite, fomos conhecê-lo logo cedo. O local é realmente incrível. Tiramos muitas fotos, filmamos bastante e depois seguimos nosso destino em direção a Trento e Lodrone.







   Não havíamos pedalado nem um quilômetro e a câmara do Marco furou. A minha havia furado durante o voo, mas durante a pedalada foi o primeiro furo que tivemos.

   Imprevisto contornado, margeamos o lago, nos perdemos em alguns momentos, conhecemos alguns ciclistas pelo caminho, fomos informados sobre o caminho correto e enfrentamos algumas subidas e descidas até chegarmos em Trento, onde tomamos um delicioso café às 10h da manhã.
   Na padaria encontramos um brasileiro chamado David que há muito tempo mora na Itália, mas que antes vivia em Curitiba. Proseamos bastante enquanto tomávamos nosso café e depois cada um tomou seu rumo. Ele para sua casa, nós para a estrada.





 





   Infelizmente não tivemos muito tempo para conhecer a famosa cidade de Trento, mas pela pequena impressão que tivemos vale a pena ficar alguns dias para conhecê-la.
   Ao sairmos de Trento pegamos outra strada provinciale, a SS45. Nela enfrentamos uma subida leve de seis quilômetros até Cadine, pegamos por um momento um caminho errado, mas logo encontramos o correto e seguimos subindo e descendo.
   Como o calor e a fome já estavam pegando, resolvemos parar em Vezanno para comer alguns sanduíches numa lanchonete à beira da estrada. Essa pequena pausa durou aproximadamente uma hora.







   O início do período vespertino foi com algumas descidas até os lagos de Toblino e Massenza. Esse lagos eu havia visto no Giro d'Itália alguns meses antes e foi realmente fantástico pedalar pelo mesmo lugar.
   Aproveitamos tirando fotos e filmando, pois sabíamos que logo depois passaríamos pela cidade de Sarche, onde começariam as subidas da nossa viagem.





   No planejamento eram 15 subidas, mas felizmente nós erramos no cálculo e foram "só" 14, sendo a primeira com aproximadamente 6 quilômetros desde a cidade de Sarche.
Subimos e suamos bastante com o calor, mas terminamos o primeiro dos grandes aclives da aventura. Ufa!
   Do alto podíamos ver a cidade e os dois lagos pelos quais passamos anteriormente.



   Depois o trajeto virou uma pequena montanha russa e começamos a enfrentar alguns túneis, o que nos deixava apreensivos. Cogitamos algumas vezes entrar na ciclovia que ficava ao lado direito, porém não sabíamos se ela nos levaria ao nosso destino.
   Seguimos passando pelos túneis com todo o cuidado e curtindo a paisagem que teimava em continuar bonita.
   Descemos por alguns quilômetros e logo chegamos em Ponte Arche, onde havia um parque com seus irrigadores automáticos molhando a grama. Isso foi como um convite para nos refrescarmos.
   Imaginem o povo olhando dois malucos agachados na frente dos irrigadores....hehehe




   Em seguida enfrentamos mais algumas subidas tranquilas e outros túneis, sendo que em um deles resolvemos adentrar na ciclovia e seguir para Tione di Trento.
   Na ciclovia tivemos um alívio em relação aos túneis, porém a distância aumentou. Tentamos esquecer o aumento da quilometragem e aproveitamos a paisagem que era composta por lagos e montanhas.










   Em Tione fizemos uma parada para um lanche, passamos no supermercado e depois seguimos para enfrentar a segunda montanha ferrada da viagem
   O que tornou essa subida difícil não foi a distância, mas sim a inclinação que nos fez colocar a corrente na marcha mais leve possível.
   Aproximadamente 5 Km depois, na cidade de Bondo, terminamos a subida. Ufa, a parte mais difícil do dia já havia passado. Agora seria só curtir 23 km morro abaixo.





   Descemos, descemos e descemos. Sempre fotografando, filmando e aproveitando ao máximo até chegar na comuna de Lodrone, onde buscamos pelo Camping Pian d`Oneda. No caminho para o camping, passamos pela entrada “ assustadora” do que seria a subida do dia seguinte, mas decidimos dormir sem pensar nisso





 

   O camping estava perto de um lago, mas confesso que nenhum de nós naquele dia estava com vontade de andar até o lago...hehehe
   Na verdade a única caminhada que fizemos foi o pequeno trajeto até o restaurante

08/07/2015 - Lodrone/ITA - Edolo/ITA - 84 Km
 
   Oito de Julho de 2015, o dia em que eu completava 34 anos e nada melhor do que passar o aniversário fazendo uma das coisas que mais gosta: cicloturismo.
   Logo cedo o tempo estava fechado e de fato a chuva só esperou desarmarmos o acampamento e comermos deliciosos pedaços de pizza amanhecida. Para não perder tempo dentro do roteiro, decidimos partir mesmo com chuva.

   Sabíamos que a partir desse dia nossa vida não seria muito fácil, pois as inclinações das subidas começariam a ficar muito altas.
   Voltamos poucos quilômetros até a subida que vimos no dia anterior e pronto, havia começado o martírio....hehehe
   Na marcha mais leve possível nós sofremos para vencer cada metro e a essa altura da brincadeira, não sabíamos  o que era pior, se o pé d´água que se armou com uma chuva que resolveu “ chover “ toda de uma só vez, ou se a inclinação daquela pirambeira ... rsrs. A inclinação era forte e a ascensão altimétrica pouca, e somente quando passamos por Ricomassimo ( 723 m ) foi que a subida deu uma pequena aliviada, mas não se engane porque continuava subindo.
   Estávamos pedalando a mais ou menos 5 km/h e com isso levamos mais de uma hora para completar a subida que tinha "apenas" 7. Tiramos muitas fotos, inclusive da cidade de Lodrone e do Lago d'Idro.









   No fim da montanha, a terceira da viagem, comemoramos um pouco e começamos a descer alucinadamente até Bagolino. A parte engraçada ficou por conta de uma senhora que ao nos dar informações, falou assim: Vocês vão pegar a Strada Bianche e depois juju, juju, juju....Agradecemos a informação mas até hoje não sei o que ela quis dizer com o juju...hehehe
   Pois bem, foram quatro quilômetros de declives até pararmos em Bagolino para nosso segundo o café da manhã. Na verdade não foi um café, foi um banquete....(risada sacana). Comemos chocolate, tomamos refri, compramos bolo, iogurte e outras guloseimas, pois sabíamos que a partir dali começaria a quarta montanha da viagem: O Passo Crocedomini e seus 22 km.








   Localizado na Província de Bréscia, do ponto de vista geográfico, ele separa os Alpes meridionais dos “ Prealpi “ ( pré-Alpes ). Muito famoso por ser uma das montanhas por onde passa o Giro d´Itália, uma das provas de ciclismo profissional mais badaladas do mundo. A partir de Breno, a subida é de 20,5 km de extensão e a inclinação média é de 7,5% a 11%.
   No início a subida estava fácil, mas logo depois a inclinação e a dificuldade foram aumentando. Foram aproximadamente 7 quilômetros até a região chamada Vale Dorizzo e nesse momento já estávamos bem cansados, mas resolvemos continuar até Gaver, onde estavam dois cicloturistas alemães parados num restaurante. Acenamos, mas não paramos, pois a montanha era longa, o tempo curto e o visual fantástico. Montanhas, pássaros, rios, árvores, etc.













   Nossa pausa só ocorreu quando as  necessidades fisiológicas falaram mais alto....hehehe. Depois, ou pouco mais vazios, resolvemos comer o bolo. Só não cantamos o parabéns para mim....hehehe
   Os alemães nos passaram e só fomos encontrá-los no fim da subida.
  Ao seguirmos, quando menos esperávamos começamos a ver uma paisagem muito linda. Posso dizer que os últimos três quilômetros foram incríveis. Vale a pena dizer também, que quando dizemos que uma montanha, estrada ou rodovia é incrível, o "incrível", também inclui a beleza como elas foram criadas, moldadas e como elas harmonizam com a natureza e todo o visual envolta de cada uma delas, tornado algo único para aqueles que tem a oportunidade de ali estar
   Registramos tudo o que era possível e foi realmente o melhor presente de aniversário que eu poderia ter naquele dia.
   Deixo aqui novamente uma parte do relato do Marco:
   "Nos quilômetros finais a estrada serpenteava por uma montanha verde esmeralda e por dentre pastagens que compunham um dos primeiros lindos cenários de montanha da viagem. Era apenas uma amostra do que seriam os próximos dias."
   No topo da subida encontramos uma placa que indica a altitude e não perdemos tempo para fotografá-la e deixar um adesivo do nosso grupo colado nela.











   Tão incrível quanto a subida foi a descida, e no seu final aproveitamos para almoçar em uma pensão onde todas as pessoas que ali estavam assistiam o Tour de France vidradas na televisão, e no decorrer da viagem, notamos que a paixão dos italianos pelo ciclismo, é como a dos brasileiros pelo futebol, que fantástico.




   No fim da descida avistamos a cidade de Breno, viramos para a direita e seguimos por 31 km numa vicinal até Edolo.
   Passamos pelas cidades de Capo di Ponte, Malonno, Sonico e completamos o dia quando o mesmo já estava indo embora. Cansados, pois fizemos duas montanhas pesadas, resolvemos pegar uma pousada, comer uma pizza e dormir, pois o dia seguinte seria bem pesado.





   Como já está virando rotina, deixo aqui as palavras do Marco em relação ao fim desse dia:
   "Seguimos todo o caminho ladeados de montanhas gigantescas, passamos por Demo, Sonico, Lorengo e Capo di Ponte e quase escurecendo, encontramos o Albergo Aurora em Edolo, onde fiz a primeira troca de pastilhas de freio, e onde o dono do Albergo foi embora e sabendo que íamos sair para comer pizza, foi logo deixando a chave do lugar conosco, acredita ?! Pena que não chegou mais ninguém para se hospedar naquela hora da noite, porque na minha mão é mais barato ... hehe."

09/07/2015 - Edolo/ITA - Cepina/ITA - 52 Km

   O quarto dia da viagem havia começado normal, com o tradicional café da manhã no hotel, porém quando estávamos saindo percebi que meu câmbio não estava bom. Parei para ajeitar, mas bastou pedalar mais um pouco para escutar um CRACK, o câmbio havia entortado bem no dia de subir o Mortirolo. Que M....!
   Em seu relato o Marco escreveu assim:
   "Para não ser diferente dos outros, esse dia começaria com subidas, fortes subidas, era o dia de encarar o “ temido “ Mortirolo. Depois do café da manhã reforçado e obrigatório para enfrentarmos a empreitada, e com apenas 500 metros pedalados, de repente – “ CRACK “! Um câmbio quando quebra pode fazer vários barulhos, mas “ CRACK “ é o mais indicado para dar uma ideia do tamanho do estrago, só não consigo reproduzir, o barulho da gancheira entortando, acho que temos um problema aqui."
   Antigamente eu ia me desesperar, mas acho que com a experiência aprendemos a pensar em soluções, não nos problemas. Em dupla analisamos nossas alternativas e decidimos encontrar uma bicicletaria na cidade de Edolo. Pergunta aqui, pergunta ali e depois de dois quilômetros voltando (descida), encontramos uma.
   A decepção foi grande ao encontrá-la fechada e com uma placa dizendo que ia abrir em pomeriggio. Pra mim pomeriggio era uma cidade e fui teimoso com o Marco em relação a isso, mas meu amigo, uma pessoa mais sensata, resolveu pesquisar e descobriu que na verdade era o período da tarde. Fiquei com cara de besta....hehehe



   Sem chance de esperar, resolvemos que eu iria cortar a corrente e fazer ligação direta, deixando a bike em uma só marcha, de preferência a mais leve. Foram poucos minutos para se fazer isso e na hora que estávamos prontos para sair, apareceu o dono da bicicletaria (Riccardo Pedretti ) no seu carro esporte.
   Ricardo não poderia fazer o reparo da minha bicicleta, pois estava com seu braço machucado devido a um acidente de moto. Então ele apenas vendeu o câmbio traseiro e nós tivemos que ser os mecânicos.
   Mexe aqui, mexe acolá, colocamos o câmbio, mas não deu certo porque faltava uma peça. Pedretti nos disse que a alavanca dianteira não estava boa, então trocamos ela também. Não adiantou.
   Só depois vimos que a peça que ele me vendeu faltava um regulador. Por fim tiramos tudo novamente e colocamos um outro câmbio traseiro, que finalmente funcionou. Ufa, enfim tudo estava certo!
   Lavamos nossas mãos, nos despedimos do Pedretti e ainda descobrimos que podemos abrir a nossa própria bicicletaria...hehehe





   Depois de tudo isso, às 12:40 saímos de Edolo em direção a quinta montanha da viagem: Mortirolo.

   Passo Mortirolo ( 1.852 m. )
   Também conhecido por Passo de La Foppa. Possuí 12,7 km de comprimento para um desnível de 1.300 metros, sua inclinação média é superior a 7,6% chegando em alguns locais aos 16%. É uma estrada secundária de montanha, mais frequentada por ciclistas em treino do que por automóveis que tem melhor opção de deslocamento pelo Passo Aprica para chegar a Bormio.


   O deslocamento durou aproximadamente 40 min e também foi em ascensão...hehehe.
   Viramos pra esquerda, tiramos foto na placa que indica o início da subida e começamos a sofrer em direção ao topo da tão desejada montanha. Subir o Mortirolo era a realização de um sonho.

  O início foi muito, mas muito pesado. A vontade era dar um ataque igual aquele que o Alberto Contador fez no Giro d'Itália meses antes, porém carregados, sem chance.
A dificuldade dos primeiros quilômetros nos fazia pedalar há uns quatro quilômetros por hora. E foi assim, devagar quase parando, que chegamos na vila de Monno, onde cogitamos parar para almoçar, mas como tudo estava fechado, seguimos.






   Numa curva havia uma bica d'água onde fomos avisados por alguns ciclistas que a subida ainda teria mais 12 quilômetros, entretanto não seria tão íngreme até os três quilômetros finais. Eba!

   Em média a informação estava correta, com exceções em alguns trechos onde a inclinação parecia ser mais de 15%.
   Aos poucos fomos vencendo aquela montanha mítica em meio às árvores, borboletas e montanhas.










   Ao chegarmos nos três últimos quilômetros vimos uma placa em que faltavam 10 tornantes, ou seja, curvas de 180º.
   Percorri as primeiras cinco curvas rapidamente e distanciei do Marco. O bom é que pude descansar enquanto o esperava.....hehehe.
   Depois demos uma rápida parada no Albergo San Giacomo para nos hidratar, e só para não ser diferente, outra boa quantidade de pessoas, entre ela muitos velhinhos, ali estavam vidrados na TV assistindo o Tour de France




   As últimas cinco curvas também foram bem difíceis, com inclinações altíssimas, mas vencemos.
   Paramos em um Mirante para tirar fotos e imaginávamos que ali havia acabado o Mortirolo. Como fomos burros! Ainda faltava aproximadamente 1 km, não tão ferrado, mas era um quilômetro.






   Felizes da vida por estarmos terminando aquela montanha mítica, tiramos fotos, filmamos e brincamos bastante. Inclusive, se não me engano, foi a primeira vez que o Marco usou o Playmobil para tirar uma das fotos que já se tornaram sua marca registrada.










  No topo existem duas placas, as quais fotografamos. A primeira tem poucos adesivos e parece ser mais nova, a segunda está cheia e foi onde fizemos a parada maior. Lá em cima encontramos dois Belgas que haviam subindo pelo outro lado. Conversamos rapidamente, pedimos que eles levantassem as nossas bikes para ver o peso e depois seguimos nosso destino.





   O texto da descida deixo para o relato do Marco:
   "A descida do Mortirolo é outro espetáculo ! Paisagens de encher os olhos, no caminho para Tiolo, entre comunas medievais e casas de pedras com telhados preparados para muita neve, além do asfalto todo pintado e marcado lembrando que ali há muitos anos acontece o Giro d´tália, sempre se avistavam também as criações de gado de montanha que completavam aquele cenário de belezas." 


















       Infelizmente, como fomos para o outro lado, não pudemos tirar foto na homenagem a Marco Pantani. Seria interessante ter uma foto de Marco Brandão com Marco Pantani...hehehe
   Com o fim da descida, na cidade de Grosio, começou o nosso "martírio" para encontrar um camping.
   Seguimos no falso plano passando por Mondadizza, Graile e Le Prese, a essa hora com o dia escurecendo, enfrentamos mais uma subida com 10% de inclinação a procura de qualquer comuna onde houvesse um camping, confesso que já estava pensando na ideia de ter que acampar escondido, mas por sorte, depois de passarmos por Tola, encontramos um camping muito bem estruturado na entrada de Cepina.
   Um camping bonito, bem organizado, com um restaurante muito requintado logo na entrada, debatemos entre nós: deve ser caro. Engano, custava tão em conta quanto todos os outros, inclusive por mais € 3,00 ficamos em um bungalow muito confortável, evitando assim a necessidade de armar as barracas.





   Eu estava tão exausto que decidi nem tomar banho. Porco!
   Exaustos, mas felizes, pois nós havíamos subido o Mortirolo com quase 40 quilos de bagagem, que orgulho.

10/07/2015 - Cepina/ITA - Bormio/ITA - 62 Km

   Começamos o dia com um farto café da manhã no camping, acompanhado de uma boa prosa entre cicloturistas: Nós, um italiano e outro que não lembro a nacionalidade...hehehe.



   Saímos às 8h e 30 min, pedalamos míseros 7 km até Bormio (caminho que eu havia feito em 2012 no sentido contrário), viramos pra direita e iniciamos o famoso Passo Gavia, nossa 6ª montanha da viagem.



   Passo Gavia ( 2.652 m. )
 

   Está localizado na província de Bréscia. É uma das míticas subidas do Giro d´Itália considerada de 1ª categoria com 17,3 km de comprimento, com um desnível de 1.400 metros e inclinações de 7,9% a 16%. É um dos mais altos e bonitos passos de montanha dos Alpes e faz divisa com a província de Bormio.

   Confesso que nessa parte do trajeto eu cometi um erro no planejamento, pois como a ideia inicial era descer por esse lado, eu não me preocupei muito com a quilometragem da descida, mas devido ao acontecimento do câmbio quebrado, decidimos subir e descer o Gavia pelo mesmo lado, que teria supostamente 22 km, supostamente....hehehe
    O início foi relativamente fácil, mas conforme fomos avançando no aclive a dificuldade foi aumentando. Passamos por algumas vilas, fomos ultrapassados por muitos ciclistas (mais de 100) que estavam treinando para uma prova no Stelvio e chegamos em Santa Caterina Valfurva, com suas casas e hotéis sofisticados.













   Nesse momento havíamos subido aproximadamente 9 km e pensávamos estar quase na metade....hehehe, burros
   Na sequência a inclinação aumentou e a estrada começou a ser repleta de curvas de 180º cercadas por pinheiros, ou seja, diversão garantida pra nós.
   Nesse momento fizemos dois vídeos: um explicando a dificuldade da subida e outro conversando com um ciclista italiano. O bom é que esse tempo serviu para descanso também...hehehe






Seguindo imaginávamos que faltavam apenas 5 km, mas erramos por 8. Droga!
   A vegetação começou a dar lugar a montanhas nevadas, a estrada se tornou uma pirambeira sem tamanho e a ansiedade de chegar ao topo o mais rápido possível cresceu a medida que o cansaço batia. Lembro do Marco falando: 22 km que não acabam nunca!
   Mesmo cansados e ansiosos pelo fim da subida, pudemos tirar muitas fotos da paisagem que combina montanhas, neve, desfiladeiros e curvas em perfeita harmonia com a natureza.
   Com aproximadamente 25 km de subida chegamos a um monumento que nos fez acreditar ter chego ao cume. Tiramos fotos, filmamos e fomos comer algo num restaurante em frente.
Pedimos sopa, pois ali a altitude e o vento frio faziam com que a temperatura ficasse bem mais amena.

































   Enquanto saboreávamos a nossa sopa, vimos um mapa e descobrimos que o topo estava mais acima. Que droga! Cogitamos não ir até o fim, mas o ego falou mais alto. Afinal, o objetivo da viagem era esse: completar todas as montanhas do roteiro.
   Subimos mais 2500 m e nos deparamos de um lado com a água verde esmeralda do lago Bianco, formado pelo derretimento das geleiras ao redor e de outro com uma boa camada de neve compacta. Realmente fascinante!
   Fotos, vídeos e muita alegria, pois além da paisagem, nós havíamos chego ao final do Passo Gavia.
   Fizemos o ritual de fotos, vídeos e adesivos na placa e voltamos para o lago, onde primeiro brincamos na neve e depois o Marco lavou a alma com um banho congelante. Eu apenas filmei....hehehe
   Nesse momento conversamos com outros ciclistas que estavam chegando ao topo, incluindo uma canadense que também entrou no lago e um suíço que fez questão de levantar a bike do Marco para sentir o peso.
























   Satisfeitos com toda aquela beleza, colocamos nossos anoraks e descemos alucinadamente os quase 28 km. A adrenalina foi às alturas, pois na descida ficávamos a poucos metros do precipício. Uma distração e adeus mundo cruel...hehehe
   Novamente em Bormio, enquanto procurávamos um lugar para dormir, encontramos alguns dos ciclistas com os quais conversamos no período da manhã. Marco Polo, Abri e Ruper eram espanhóis que estavam aproveitando a região montanhosa enquanto esperavam a prova do Passo Stelvio, que seria daqui dois dias.
   Já no centro de Bormio, uma cidade mais centralizada e bem mais turística e movimentada do que as outras, conhecemos e conversamos com imigrantes africanos refugiados da violência que acontece na Líbia e na Síria, e vítimas do tráfico de pessoas, e confesso que tomar conhecimento desses fatos através de pessoas protagonistas dessa realidade, é muito comovente, e um motivo a mais para agradecer a Deus por tudo o que ele nos proporciona. Em seguida, através de indicações, nos hospedamos no Albergo Rufo.
   Esse trecho final , como já virou rotina nesse relato, foi escrito pelo Marco.






11/07/2015 - Bormio/ITA - Müstair/CH - 62 Km

   Conforme relatei aqui, em 2012 tive o grande prazer de pedalar pelo belíssimo Passo Stelvio e desde então sempre quis voltar.  Pois bem, havia chego o dia do meu reencontro com essa temida montanha, mas dessa vez o trajeto seria invertido em relação a 2012.
   O Marco, assim como eu, estava ansioso para enfrentar o Stelvio. E pra ele tinha uma emoção a mais, pois era a sua primeira vez nessa montanha mítica.

   Passo dello Stelvio ( 2.757 m. )

   Localizado em Tirol do Sul (Itália) na província de Sondrio, com 24,3 km de comprimento,  ascensão de 1.808 (partindo de Bormio), e com uma inclinação que vai de 7,4% a 13%, o Passo Stelvio foi construído em 1.820, é a estrada mais alta da região e estão entre as 10 estradas mais difíceis e mais incríveis do mundo.

   Tomamos o nosso reforçado café da manhã e começamos a subida perto das 9h. Nesse horário encontramos muitos ciclistas, pois além de ser um sábado ensolarado no período de férias, era também véspera de uma prova no próprio passo, ou seja, a galera resolveu treinar.
   Com certeza fomos ultrapassados por mais de 50 ciclistas, mas isso não nos incomodou, pois o nosso objetivo era provar e sentir o frescor do ar alpino, admirar e se encantar com as mais belas paisagens, ouvir os sinos dos gados de montanha por todo o caminho e sentir o toque do pneu com o asfalto. O Stelvio nos proporcionou isso e muito mais, principalmente quando chegamos nos caracóis.






























   Fizemos várias paradas para registrar os momentos, incluindo uma maior para alimentação e descanso no único estabelecimento que existe na parte dos caracóis. Ali encontramos um ciclista brasileiro chamado Lucca que mora em Milão e também um dos espanhóis do dia anterior.
   Depois seguimos serpenteando a montanha até encontrar o melhor local para tirar fotos. Bingo! As fotos e os vídeos ficaram show!





























   Na sequência enfrentamos os últimos 8 km até o topo, sendo que os quatro derradeiros foram bem difíceis. Até poderíamos ter evitado eles para ir direto pra Suíça pelo Passo Umbrail, mas não terminar o Stelvio seria uma burrice. Iríamos pra Suíça sim, mas por um caminho mais belo.
   A 300 m do topo encontramos um cicloturista italiano chamado Alessio e juntos terminamos a subida, encontrando um mar de gente:  speedeiros, MTBs ou simplesmente turistas.
Juntos também fomos no lugar onde eu havia tirado as melhores fotos de 2012, pois naquele local se consegue ter uma noção da grandiosidade da montanha e da estrada. O bom é que desceríamos por essa parte....hehehe.
   Durante os registros apareceu outro cicloviajante, dessa vez um húngaro com um nome difícil de recordar...hehehe.
   Os quatro estavam radiantes, pois afinal tinham vencido todo aclive e estavam curtindo o momento. Fotos, vídeos, mais fotos e depois mais vídeos daquele lugar ímpar.
   Depois o húngaro seguiu seu caminho para Bormio, o Aléssio foi para Prato allo Stelvio e nós ficamos um pouco mais, para comer algo.





















































   A nossa descida teve início às 17h, também no sentido de Prato allo Stelvio e tentamos filmar grande parte da nossa emoção. Foi surreal, incrível, fascinante, perfeito, etc.
   As palavras do Marco foram:
   "Não importa qual lado você suba ou desça, por qualquer deles, a beleza de suas paisagens formadas por picos de montanhas congelados em combinação com o branco das nuvens que flutuam por um céu azul Royal, é de deixar qualquer ser vivo extasiado.
   Depois de uma descida fantástica, em todos os sentidos, seguimos por Trafoi, Gomagoi em direção a Glorenza. Continuamos seguindo por uma estrada linda, ladeado por castelos, e entre plantações de maçãs e nectarinas, chegamos à fronteira com a Suíça.
   Esse sem dúvida foi um dos muitos momentos marcantes dessa viagem. A emoção de estar ali depois de todo o esforço empregado nas subidas dos passos, por si só já era indescritível, não bastasse o perfume que tomava conta da estrada ao adentrarmos a primeira cidade cuja entrada era forrada por um imenso jardim de rosas. Foi realmente para marcar e fechar o dia com chave de ouro, e mais alguns quilômetros depois, chegávamos ao Camping Muglin Val Müstair, em Müstair. "




































































   Realmente foi um momento mágico. Eu olhava para o Marco e via o brilho nos olhos dele.
   Aqui vale destacar que até Glorenza foram 6 km e depois outros dez até Müstair, sendo seis desses o início do OfenPass, nossa única montanha na Suíça. Ah, infelizmente não vimos uma placa na qual pudéssemos tirar foto da nossa entrada na Suíça. Apenas fotografamos a aduana e uma bandeira...hehehe 
12/07/15 - Müstair/CH - Martina/CH - 90 km

    Como esse seria o nosso único dia inteiramente na Suíça, tratamos de aproveitar ao máximo, incluindo o camping no qual pernoitamos. O Marco escreveu assim: 

   "Um domingo na Suíça. O referido Camping foi sem dúvida um dos mais bem estruturados que estivemos, e não pelo requinte e qualidade, pois isso é padrão por lá, e sim por muitas outras ofertas de lazer, só sendo superado pelo Camping Veneza o qual ficamos no penúltimo dia, o qual desfrutamos até da piscina. Fotografei algumas lhamas que são criadas em um cercadinho como atração para as crianças, e ainda pensei com meus botões, coitadas, nos Andes elas vivem soltas na natureza. Tivemos que procurar alguma pessoa responsável pelo camping para podermos pagar, caso contrário iríamos embora sem sermos interpelados na entrada e nem saída, pois em ambos os horários o escritório principal estava fechado. As coisas por aqui funcionam na base da palavra e da honestidade, logo pensei. Por todo o caminho que fizemos fiz questão de observar, e cheguei a conclusão que as pessoas não querem, não tem o hábito e nem o interesse de levar qualquer tipo de vantagem sobre nada e seguem religiosamente a lei da educação e do respeito. Bom, vamos voltar para a estrada..." 









   Desde a saída do camping a inclinação se fez presente, pois desde o dia anterior já estávamos subindo o OfenPass. Pedalamos aproximadamente 5 km até Santa Maria Val Müstair onde nos deliciamos com chocolates, bolachas, refrigerantes, tortas e frutas da Suíça, incluindo a melhor bolacha que já comi na minha vida: Ovomaltine. Em 2012, também pedalando pela Suíça, descobri esse "néctar dos deuses " e confesso que foi muito bom saborear essa bolacha novamente. O Marco também se apaixonou por esse produto suíço....hehehe

















   Quando os relógios suíços marcavam exatamente 10h seguimos nosso caminho, ou seja, continuamos subindo....hehehe. A mescla entre inclinação e barriga cheia nos fez pedalar bem devagar e com isso pudemos apreciar ainda mais os locais, incluindo a entrada para o passo Umbrail (mesmo de ontem, mas no sentido contrário), as montanhas, as cidades de Valchava, Fuldera e Tshierv, onde paramos para tirar fotos numa bandeira Suíça e pudemos ter uma noção de como seria o fim da subida.










   Como já havia virado rotina, o fim de um passo de montanha sempre é mais difícil e o OfenPass não fugiu a essa regra. Os últimos 5 km foram bem complicados, mas com paciência fomos avançando pela belíssima estrada cheia de curvas em meio a pinheiros gigantescos. Nem um pneu furado do Marco nos tirou a serenidade, apenas fizemos a troca da câmara e seguimos rumo ao topo.



















   Ofenpass – Passo Del Fuorn ( 2.149 m. )

   É um passo de montanha localizado no “cantão” de Grisões, nos Alpes Suíços. Essa estrada liga a cidade Val Müstair com a cidade de Zernez, atravessando pelo Parque Nacional Suíço (Parc Naziunal Svizzer). Partindo por Glorenza a distância é de 28 km de ascensão. Dada a preferência dos motoristas pelo Reschenpass, este passo tem um tráfego bem menos intenso. É um dos passos que ficam abertos quase o ano inteiro.

    Assim como no Stelvio, era minha segunda vez no OfenPass e foi impossível não lembrar do quanto eu sofri em 2012, pois a minha marcha mais leve não estava entrando. O bom é que dessa vez eu pude contar com todas as marchas....hehehe.
   Com a chegada do Marco ao topo tiramos a imperdível foto na placa, colamos o adesivo, descansamos um pouco e iniciamos a descida







   Foram 10 km de declives, em meio ao Parque Nacional Suíço, até a bifurcação Livigno/Zernez. Como o nosso trajeto seguia para a segunda opção, enfrentamos mais 5 km de uma subida leve e depois despencamos até Zernez. Não tive coragem de filmar esse último declive, pois o vento estava muito forte e tirar uma mão do guidão seria arriscado.
   No roteiro original Zernez seria uma cidade para passarmos a noite, mas como estávamos atrasados apenas presenciamos o fim de um desafio de bikes speeds, onde não entendíamos nada que o locutor falava (alemão) e seguimos nosso caminho.








   A partir daquele momento seguiríamos as águas de cor azul turquesa do rio Inn até Innsbruck na Áustria, isto é, teríamos longos quilômetros (que durariam um dia e meio) para descer. Aleluia!
   Felizes por ter completado a primeira parte das subidas propostas no roteiro, fomos filmando e tirando fotos do rio e da estrada até Susch, onde fizemos uma pequena pausa para abastecimento de água numa bica que ficava na calçada. Isso mesmo, água potável de graça no meio da calçada, igual ao países da América do Sul, só que não....hehehe






















   Depois bastou seguir só no embalo do declive, quase sem pedalar, passando pelas cidades de Lavin, Giarsun, Scuol e Martina.
   Em Martina, nós..... opa, já ia esquecendo que no fim sempre tem uma parte do relato do Marco:
   "Eu já contei que por todo esse caminho seríamos seguidos pelo rio Inn, pois bem, e fomos! Foram incontáveis fotografias e vezes que eu virava para o Aramis e dizia: - Por mim eu acamparia as margens desse rio.
   Eu iria adorar acordar, abrir o zíper da barraca e dar de cara com ele (dar de cara no sentido figurado... rsrs), que pena que é proibido acampar na Europa sem autorização. Pois bem, alguém já ouviu falar na “lei da atração”? E não é para rir não... Chegamos a Martina por volta das 20h00min do domingo, e não havia uma viva alma na rua, nenhum camping, e os únicos dois albergos estavam fechados, então nos dirigimos até os guardas da fronteira que estava a 50 metros dali.
   A informação que tivemos depois de uma boa conversa, foi que ali em Martina por ser tarde (?) e domingo estava tudo realmente fechado, ou voltaríamos 15 km ou adiantaríamos 20 km até Landeck na Áustria, mas não queríamos de maneira alguma cruzar a fronteira sem comprar os souvenirs, e a última opção de loja ficava a 20 metros de onde estávamos. Eu expliquei minuciosamente essa situação ao agente, ele disse: - Veja bem, eu sou guarda de fronteira, não posso proibi-los de encontrar um lugar escondido para acampar as margens do rio, entendeu? E assim, entre dezenas de pinheiros, encontramos um lugar “seguro” para passar a noite, às margens do rio Inn, essa é a lei da atração, cuidado com o que desejar."






































 
13/07/2015 - Martina/CH - Innsbruck/AUT - 135 Km

   Depois de uma bela noite de sono no acampamento selvagem, desmontamos tudo e rapidamente fomos em direção à divisa, onde havia uma loja de souvenirs. Lá nos alimentamos, compramos lembranças da Suíça (incluindo um canivete suíço que o Marco comprou), conversamos com o mesmo grupo de ciclistas alemãs que vimos ontem e só então partimos.




   Na aduana agradecemos o policial que nos deu a dica no dia anterior e continuamos a nossa saga pelo velho continente. Sem muito esforço, pois estávamos descendo, chegamos na placa que mostra a real divisa entre a Suíça e a Áustria. Yes!
   Fotos, vídeos, mais fotos e mais vídeos.













   Passada a euforia da entrada em um novo país, seguimos mais alguns metros até a aduana e mudamos de estrada, pedalando agora na movimentada B180 que também acompanhava o rio Inn.
   Com a atenção redobrada seguimos morro abaixo pelas cidades de Pfunds, Tösens e Prutz. Depois saímos da B180 e chegamos em Landeck, onde resolvemos "almoçar".
   Aqui vale lembrar que ao lado da B180 havia uma ciclovia, que com certeza nos daria mais tranquilidade, mas que ao mesmo tempo nos faria perder tempo com seu caminho cheio de curvas, por isso continuamos na estrada movimentada mesmo.


















   Pois bem, no almoço o difícil mesmo foi escolher o que comer, pelo motivo de não entendermos os nomes....hehehe. Acabamos pedindo o lanche Grober Gemischter Salat, que na verdade era um sanduíche.


   No período vespertino pedalamos pela estrada 171 e enfrentamos apenas 2 subidas de 4 km cada uma, ou seja, bem tranquilo. Passamos pela entrada de algumas cidades e fizemos uma parada em Silz, para tomar um sorvete. Como o trajeto estava bem fácil e o tempo ainda era grande, ficamos quase 30 min apreciando o movimento da pacata cidade e depois fomos num ritmo menor, apreciando cada detalhe da região.













   Campos de trigo, macieiras, pereiras, castelos, casas, vilas, portões, cercas e muito mais aguçavam os nossos sentidos no caminho para Innsbruck, capital do vale do Tirol.
   O fim desse dia o Marco relatou assim:
   "Ela é atravessada pelo rio Inn, de onde tem origem seu nome. Brücke em alemão significa ponte, traduzindo “ Ponte do Rio Inn “, certeza de um registro fotográfico. A cidade fica no vale do Inn, entre montanhas que ultrapassam os 2.500 m. Innsbruck é um renomado centro de esportes de inverno, tendo sediado inclusive algumas olimpíadas.
   Nosso plano era encerrar o dia por ali, mas pela primeira vez não encontramos campings que estivessem na nossa rota, e os hotéis no centro eram realmente caros para o valor que estávamos dispostos a gastar, decidimos então adiantar o roteiro. Atravessamos por um longo trecho a cidade de Innsbruck, seguindo em direção ao próximo passo, que seria a 9ª montanha e que nos levaria de volta a Itália, na expectativa de que nesse caminho depararíamos com uma pensão ou um albergo dentro das nossas condições financeiras. E justamente nos primeiros 7 km do passo Brenner, achamos o Albergo Schupten Gatthof, onde resolvemos pernoitar."



 




























 






14/07/2015 - Innsbruck/AUT - Chiusa/ITA - 91 Km

   Depois de praticamente dois dias em descenso, era hora de voltar a subir. O desafio dessa vez seria o Passo Brenner, que nos levaria novamente para a Itália.

Brenner Pass - Passo Del Brennero ( 1.370 m. )
   O Brennerpass ou passo do Brennero, é um passo de montanha nos Alpes ao longo da fronteira entre a Itália e a Áustria. Devido a sua altitude relativamente baixa (1370 m), é um dos principais passos na cadeia, e um dos poucos na região do Tirol, por este motivo, foi muito cobiçado ao longo da história.
    Sob o passo, as elevadas pastagens alpinas vêm sendo utilizadas há séculos como pasto para o gado leiteiro, o que disponibiliza o espaço disponível nas altitudes mais baixas para o cultivo e a colheita de feno destinado à alimentação no inverno.
   Os romanos utilizavam-se regularmente do passo, que eternizou em seu nome a tribo local dos brênios.
   Simbolicamente, durante a Segunda Guerra Mundial, o líder alemão Adolf Hitler e seu equivalente italiano Benito Mussolini se encontraram  ali para celebrar publicamente seu pacto, em 18 de Março de 1940. 


   Tomamos um café reforçado no hotel (iogurte, pão, salame, suco, etc) e saímos exatamente às 9h e 30 min.
   Conforme já havíamos planejado, esse seria um dos passos mais fáceis da aventura, pois a média de inclinação era abaixo de 7%.
   Subimos tranquilamente curtindo e apreciando a paisagem que por algumas vezes ficava mais bonita com a presença da autoestrada sob nossas cabeças. O Marco lembrou da Serra dos Imigrantes, em São Paulo e eu achei aquela obra fantástica de engenharia bem parecida com o Passo San Gottardo, na Suíça.









   Pedalamos 17 km até Matrei, onde fizemos uma pausa para comprar e comer guloseimas....hehehe
Depois tivemos a presença de um rio cristalino de um lado e da linha do trem do outro, incluindo a passagem de alguns comboios carregados de caminhões. Caminhões? Sim, trens gigantescos carregando caminhões gigantescos.


































   Opa, para não dizer que tudo foi moleza, logo depois de passarmos a vila de Gries a inclinação aumentou e por alguns míseros 5 km sofremos um pouco até o momento em que ficamos logo abaixo da autoestrada que outrora estava muito mais alta.
   Naquele momento sabíamos que tínhamos completado a subida e bastava pedalar mais alguns metros para registrar o momento na placa do Brenner. Dito e feito! Fotos e vídeos foram feitos do local que marcava o fim do passo e também a divisa entre a Áustria e a Itália.


















   Como ainda era cedo, resolvemos entrar em um shopping que ficava ao "lado" da placa pensando que existiram coisas relacionadas com o local, mas tamanha foi a nossa decepção ao descobrirmos ser um shopping normal. Que droga! Apenas nos restou visitar lojas de ciclismo perto do passo, essas valeram a pena.






   Ao sairmos da divisa, descemos aproximadamente 50 km e vimos muitas vilas encantadoras. Entre elas Fortezza, que nos recepcionou com uma estrada repleta de hortências. Show!












   Aqui vale lembrar que a descida foi tranquila até a cidade de Bressanone, pois após ela tivemos que nos preocupar com o trânsito intenso. Tudo bem que os motoristas italianos nunca deram motivos para nos preocuparmos, mas mesmo assim o pedal fica mais tenso quando se tem diversos carros passando a seu lado.
   Nosso objetivo do dia era a cidade de Bressanone, mas achamos ela muito grande e adiantamos um pouco até Chiusa, onde encontramos um camping perfeito e montamos acampamento de frente para um castelo (Monastério de Sabiona).

   Vejam o que o Marco disse dessa última parte do dia:
"Revezando os olhares admirados entre Castelos e Igrejas da Idade Média, chegamos ao entardecer na histórica cidade de Chiusa, onde escolhemos o Camping Gump para albergarmos; escolha dada ao fato do Gump ficar bem aos pés do belíssimo Monastério de Sabiona que fica no alto da colina, essa era a visão que queríamos ter ao despertar no dia seguinte. Aproveitamos para percorrer o centro da cidade, onde conhecemos sete meninos paquistaneses, que ao descobrirem nossa nacionalidade passaram a nos seguir e querer saber tudo sobre nossa aventura, sobre o Brasil e sobre um tal jogador de um tal time da baixada santista, posso com isso ? E para nosso espanto, crianças com 10 e 11 anos de idade se comunicando em inglês, haja visto que não é o idioma o oficial do Paquistão, entendeu a colocação ?"































15/07/2015 - Chiusa/ITA - Arabba/ITA - 62 Km
   Enfim iríamos conhecer as Dolomitas, nosso objeto de desejo durante toda a viagem e em todo o planejamento, inclusive a ideia inicial era só conhecer essa região.

Dolomitas
   As Dolomitas são uma cadeia de montanhas no norte dos Alpes italianos, incluindo 18 picos acima de 3.000 metros e abrangendo uma área de 141.903 hectares. Abriga algumas das mais belas paisagens de montanha de todo o planeta, com paredes verticais, falésias e uma alta concentração de estreitos, profundos e longos vales. A região protegida compreende nove áreas que apresentam uma diversidade de paisagens espetaculares de importância internacional para a geomorfologia, marcada por íngremes pináculos e paredes rochosas. O local também contém feições glaciais e sistemas cársticos. É caracterizada por processos dinâmicos com frequentes deslizamentos, inundações e avalanches. A região também dispõe de um dos melhores exemplos de preservação da plataforma carbonática do Mesozoico, com registros fósseis. Por oferecer valores universais, de ordem natural e cultural, as Dolomitas foram adicionadas a lista dos Patrimônios da Humanidade pela UNESCO.
   O nome "Dolomitas" provém do famoso mineralogista francês Déodat Gratet de Dolomieu, que foi o primeiro a descrever a rocha dolomite, um tipo de rocha carbonatada responsável pelas formas características e pela cor destas montanhas, que anteriormente ao século XIX eram conhecidas como "Montanhas Pálidas". 


   Eu acordei bem cedo e com muito frio, pois não usei o saco de dormir. Resolvi tomar um banho bem quente para aquecer e despertar. Funcionou! Logo que o Marco levantou desmontamos acampamento, compramos e comemos muitas bolachas e salgados no camping, pois sabíamos que o dia seria bem difícil.



   Logo na saída já estávamos em ascensão e assim foi durante mais de 30 km. Fomos subindo, subindo e de repente avistamos ao longe as inconfundíveis montanhas das Dolomitas. A emoção estava estampada em nossos semblantes e mesmo com o esforço que fazíamos, nossa feição era de felicidade.













   A visão majestosa das montanhas não sumiu mais do nosso horizonte e aos poucos, bem devagar, íamos chegando cada vez mais perto. Várias vilas apareceram pelo caminho e nelas havia uma coisa em comum: Esculturas feitas com madeira. Mais tarde descobrimos estar na terra dos " holzschnitzers in legno ", ou entalhadores de madeira, onde dezenas de " obras de arte " esculpidas em madeiras espalhadas no entorno da estrada distraíam nossa atenção no aclive.











   Numa dessas vilas, mais precisamente em Gröden, paramos num posto de gasolina para tomar um refrigerante e o dono nos presenteou com isotônico e água. Show! Conversamos um pouco e falamos de alguns ciclistas italianos e brasileiros, entre eles Francesco Manuel Bongiorno e Murilo Fischer.




   Depois passamos pela vila de Selva Gardena e a inclinação aumentou consideravelmente.
   Estávamos pedalando numa média de 6 km/h e ainda faltavam 11 km para o topo do Passo Sella, nossa primeira montanha nas Dolomitas e 10ª montanha da aventura.

Passo Sella ( 2.244 m. ) – Cordilheira dos Alpes
Localizado em Selva di Val Gardena na província de Bolzano, é um dos mais belos passos de montanha no sul do Tirol. Nele está compreendido o conjunto de montanhas pertencentes as Dolomitas denominado grupo Sella. É o terceiro dentre 7 passos de montanha onde acontece anualmente a Maratona delles Dolomites Bicycle Race, e também já foi palco do Giro d’ Itália.


   Foram quilômetros inesquecíveis. Demoramos muito mais do que imaginávamos naquele local e isso nem foi tanta culpa da subida, mas sim da paisagem que teimava em melhorar a cada quilômetro ou metro avançado. Podíamos ver o gigantesco grupo Sella de um lado e o Sassolungo do outro. 'FANTÁSTICAMENTE FANTÁSTICO"

    Nas palavras do Marco:
   " Não é moleza subir montanhas com tanto peso na traseira da bicicleta. A emoção causada pelos encantos do caminho, acoberta a dificuldade e o sacrifício de passar horas e horas girando para alcançar o final da escalada, e também não dá uma real ideia da inclinação e da dificuldade, mas a verdade única é que estar ali e passar pelas dificuldades, foi uma opção exclusivamente nossa, e nessa lembrança ganhávamos mais fôlego.
   Quer uma descrição de como é chegar pela primeira vez no topo de um passo nas Dolomitas depois de subir por 35 km ? Não consigo descrever, qualquer adjetivo que eu escolha para usar, será insuficiente para explicar a magnitude de tanta beleza natural. É simplesmente incrível. Esse é dos momentos da viagem que ficam gravados na memória para o resto da vida."




































































































   Chegamos no topo, tiramos foto na placa do passo, descansamos, compramos souvenirs, fizemos um lanche e seguimos nosso caminho com uma ameaça de chuva.
   Descemos 5 km com a visão gigantesca das rochas na nossa frente e depois começamos a subir o 2º passo do dia, o Pordoi.


Passo Pordoi ( 2.239 m. ) – Cordilheiras dos Alpes
   Localizado entre o grupo de montanhas denominado Sella ao norte e o grupo Marmolada ao sul, na província de Trento, é a estrada mais alta atravessando um passo nas Dolomitas, e conecta a cidade de Arabba ( Livinallongo di Col di Lana ) a Canazei. 


   Logo no início do Passo Pordoi, a chuva que antes ameaçava resolveu cair . Como estávamos em êxtase nem ligamos muito pra ela e seguimos em ascensão. O bom é que talvez só nós não corremos da chuva, pois magicamente os carros, as motos e todas as pessoas que estavam naquela região sumiram.














   Subimos o mais rápido possível os "míseros" 7 km que nos distanciavam do topo do passo e bastou registrarmos a nossa chegada para que o mundo desabasse numa chuva bem mais forte e ininterrupta.



















   Nos abrigamos embaixo do assoalho (estilo palafitas) de um restaurante/albergue, colocamos nossos anoraks e como as horas já estavam avançadas resolvemos seguir na chuva forte mesmo. O problema é que agora seria uma longa descida e nessas condições climáticas coisas ruins podem acontecer. Porém a sorte estava do nosso lado, pois foi só sairmos das "palafitas" que a precipitação parou....hehehe
E o fim vocês já sabem, são as palavras do Marco:
   "Uma descida de passo completamente desimpedida, sem uma viva alma, muitos quilômetros de declive que seguiam por tornantis que variavam entre curtos e compridos e alguns com mais de 180° de curvatura, parecia um “ autorama “. Com o asfalto bastante molhado, as pastilhas de freio gastaram ao ponto de chegarem no ferro, de imediato e obrigatoriamente paramos para trocá-las, pois era impossível seguir sem freios. E agora o trocadilho: descemos Palua ( nome da comuna ), e com frio e com as pontas dos dedos das mãos congelando encontramos abrigo no albergo Serena na cidade de Arabba ( Livinallongo di Col di Lana ), onde chegamos completamente encharcados, porém satisfeitos como sempre."

















 16/07/2015 - Arabba/ITA - Cortina D'Ampezzo/ITA - 39 Km
   
   Como já era de praxe, tomamos um café da manhã reforçado no hotel e saímos para pedalar o dia mais curto da aventura, com apenas 39 km....hehehe
   No início foram aproximadamente 10 km descendo tranquilamente pela região das Dolomitas, mas como nesse roteiro que escolhemos sempre existe um subida, logo começamos a 12ª montanha: Passo Falzarego.
















   Passo Falzarego ( 2.105 m. )

   Localizado na província de Belluno região de Veneto, esse passo conecta principalmente a cidade de Andraz com a famosa Cortina D´Ampezzo. Também nesse passo tem início a estrada que segue para o passo Valparola. O nome Falzarego significa “ falso rei “ e refere-se a um rei dos “ Fanes ”, que foi supostamente transformado em pedra por trair seu povo.
   Também foi palco da Grande Guerra, e em suas imediações podemos encontrar alguns museus e castelos que guardam toda essa história.
   É o sexto e mais íngreme dentre 7 passos de montanha onde acontece anualmente a Maratona delles Dolomites Bicycle Race.
   Sinceramente não achamos a montanha tão difícil e fomos subindo tranquilamente os 12 km que nos separavam do topo. Aqui vale destacar que a chuva do dia anterior não existia mais e portanto, conseguimos apreciar muito bem a paisagem fantástica.
   Enquanto subíamos, por alguns momentos, podíamos ver o castelo de Andraz ao lado esquerdo e isso nos anima mais.
   Quase no topo fomos incentivados por um grupo de speedeiros que gritavam: Grande, grande! Nos sentimos muito bem com isso....hehehe
   Nossa rotina de fotos, vídeos e adesivos na placa não mudou, mas dessa vez fomos abordados por um rapaz pedindo dinheiro para uma instituição anti-drogas. Qualquer semelhança com um país aí é mera coincidência....huahauhau






























   Felizes da vida, pois tínhamos completado o desafio do dia, começamos a descida de 16 km até Cortina D'Ampezzo.
   No início o declive era repleto de curvas, mas depois começaram a aparecer trechos retos e nós aproveitamos para alcançar velocidades acima de 70 km/h. Adrenalina total!
   Em pouco tempo chegamos em Pocol, onde há uma bifurcação: Cortina D'Ampezzo - Passo Giau. Seguimos para a primeira opção, pois o Passo Giau seria conhecido no próximo dia.
   Descemos mais 7 km até a cidade, que realmente é fantástica. Filmamos e fotografamos bastante a chegada em Cortina, pois a combinação da cidade com as Dolomitas ao redor é impressionante.
   Já no centro, fomos até uma bicicletaria instalar pastilhas de freio na bicicleta do Marco. Pronto, agora ele não sofreria mais com problemas no freio. Em seguida encontramos um bom local para almoçar uma deliciosa lasanha e descobrimos que os campings estavam muito longe da nossa rota, o que nos fez procurar uma pousada econômica.


































   Na pousada, com uma vista panorâmica da cidade e suas montanhas, eu apaguei logo após o banho, só acordando às 16h. Dormi umas duas horas e nem senti......hehehe Por fim fomos conhecer melhor a cidade e terminamos o dia comendo pizza.




17/07/2015 - Cortina D'Ampezzo/ITA - Miane/ITA - 115 Km

   Havia chego o dia de enfrentar as últimas montanhas e como o dia seria longo, tratamos de tomar aquele, já de praxe, reforçado café da manhã na pousada.


   Com o bucho cheio de iogurte, cereais, café, salame, pães e geléias saímos para enfrentar a 13ª montanha da aventura, o Passo Giau.

Passo Giau ( 2.236 m. )
   Localizado na província de Belluno, esse passo de montanha liga a cidade de Cortina D´Ampezzo com Colle Santa Lucia e Selva di Cadore. É sem dúvida um dos lugares mais encantadores das Dolomitas, numa área muito pitoresca no centro de um vasto pasto de montanha onde podemos ver muitos dos mais famosos picos da região, Marmolada, Tofane, Cristallo, Sorapis entre outros. É um dos passos lendários do Giro d´Itália, especialmente a partir do lado de Colle Santa Lucia, por sua dificuldade, com 10,1 km e uma inclinação de 9,1%. Foi o Cima Coppi (título dado ao pico mais alto na corrida anual da volta a Itália) do Giro d´Itália na edição de 1.973. Esse ano (2016) o Giro também passou por lá.

   Desde que saímos da pousada já estávamos subindo. Primeiro percorremos os 6/7 quilômetros que nos separavam de Pocol (trajeto do dia anterior) e depois começamos oficialmente o passo.












   Confesso que achei que a montanha não seria tão complicada, mas foi. Salvos os dois primeiros quilômetros, nos quais tínhamos uma bela vista do conjunto de picos dolomíticos chamado Cinque Torri, o resto teve uma inclinação forte e constante. Pedalávamos à míseros 5 km/h e fazíamos paradas a cada 1 km. Numa dessas paradas fomos ultrapassados por vários adolescentes....hehehe. A nossa desculpa foi pelo fato de estarmos carregados, caso contrário não seríamos ultrapassamos......mentira.

















   Pois bem, como sempre os últimos quilômetros foram os mais difíceis, porém os mais bonitos. A grande cadeia de montanha das Dolomitas estava toda ao nosso redor e com um céu azulzinho foi impossível não parar pra registrar o momento. Fabuloso!










   Já no fim do passo, 17 km depois de Cortina D'Ampezzo, comemoramos rapidamente, tiramos fotos, filmamos e logo começamos a longa descida, pois o dia seria longo.










   Descemos com velocidades acima de 70 km/h e aproveitamos para realizar vídeos incríveis. Confiram o vídeo no início dessa postagem.
   Em Selva di Cadore paramos para "almoçar" (sanduíche, sorvete e refri) e logo depois seguimos despencando.






   Nesse trecho passamos por várias cidades, com um destaque maior para Alleghe e seu lago de mesmo nome.
   Depois seguimos numa estrada bem movimentada, dentro do Parque Nacional das Dolomitas Belluno, rumo a Agordino, Taibon, Agordo e Sedico.

























   Ao chegarmos em Sedico ainda tínhamos 3 horas de luz e então resolvemos adiantar o trajeto indo de encontro com a última montanha da aventura: O Passo San Boldo

Passo San Boldo ( 706 m. )
   É uma passagem de montanha localizada entre as cidades de Trichiana e Tovena em Veneto e se situa no extremo sul dos Alpes italianos. A estrada, chamada SP 635, permite o tráfego apenas em uma direção por vez, alternando com semáforos. A rampa de acesso para o lado sul, do “pescoço” para trás é uma parede quase vertical com uma série de 7 tornantis através de túneis escavados na rocha. O exército austro-húngaro conseguiu construir a estrada em menos de três meses. Após esse fato, a estrada passou a ser conhecida por: "Estrada dos 100 dias.” Foram 1.400 pessoas, incluindo prisioneiros de guerra, mulheres, crianças e idosos, que trabalharam dia e noite para completar a rota estratégica para abastecimento durante a Batalha de Piave. Apesar das condições topográficas, a inclinação não podia exceder 12% para a passagem de veículos pesados e de artilharia.
   O Passo San Boldo está listado entre as estradas mais incríveis do mundo!

   Foram 11 km até Trichiana, onde se inicia o passo, porém antes do começo da subida ouvimos alguém exclamando: Eu vi uma bandeira do Brasil! Instantaneamente paramos para ver quem era e pudemos começar um casal nota 10. Valéria e Wanderlei vivem felizes há um bom tempo na Itália. Foi muito bom poder conversar em Português, mas infelizmente tivemos que recusar um bom convite de pernoite e consequetemente uma ótima prosa para conseguir um dia de folga no fim da viagem. Obrigado Valéria e Wanderlei.







   Logo depois da parada em Trichiana a subida começou, porém não foi difícil. A estrada e os locais (Niccia, San Antonio Tortal e Campedei) eram bem tranquilos, com aquele ar de interior. Aos poucos fomos avançando e de repente vimos a placa que indicava o fim. Yes! Essa sim foi a montanha mais fácil da pedalada e dessa vez não nos enganamos.

























   Fizemos o devido registro e ansiosos atravessamos um túnel para poder ver a magnífica obra de engenharia do Passo San Boldo.
   Deixo abaixo o texto do Marco, que relata a descida do passo e os últimos quilômetros do dia.
   "Finalmente a última e uma das mais lindas descidas da viagem! A descida do passo San Boldo pelo lado norte é sem dúvida uma das mais belas obras da engenharia, a sobreposição dos túneis entrando e saindo pelos paredões causam grande emoção para quem tem a oportunidade de contemplá-los do alto. Impossível descer por esse trecho com velocidade, pois seus sentidos visuais não deixam, não querem. Você realmente só vai deixar a bicicleta ganhar velocidade, depois de se libertar desse trecho e alcançar as últimas curvas fechadas que seguem por um asfalto que é um convite para soltar os freios. “Cabelos ao vento é para quem tem cabelos, eu prefiro sentir o vento no rosto”. E antes de chegar a Mura, Rolle e Follina, você irá se deslumbrar pedalando em uma estrada que foi caminho do Império Romano do século IX, e se deparar com casas e igrejas antigas do século XVII. Na cabeça vinham as aulas de história do tempo do colegial, enquanto alterávamos um pouco o roteiro a procura de um lugar para pernoitar que encontramos na simpática cidade de Miane, aliás, muito simpático foi o casal que nos recebeu em sua residência, (Bed and Breakfast – pessoas que alugam quartos em suas casas para os turistas, uma espécie de pensão, traduzindo: Cama e Café da Manhã). "

























18/07/2015 - Miane/ITA -Veneza/ITA - 75 Km

   Com a sensação de mais uma viagem concluída saímos de Miane para percorrer os derradeiros quilômetros até Veneza e não se engane, pois não foi um pedal apenas para completar a aventura. Dessa vez havia um último local para conhecer: A loja da Pinarello, em Treviso, que apesar de estar perto (40 km) não chegava nunca, tudo por causa da bendita ansiedade....hehehe. Quando finalmente chegamos na frente da loja parecíamos hipnotizados pela marca e ao adentrarmos ficamos bobos com o local. Lá estava a bike de crono (ou uma réplica) do Miguel Indurain, a atual máquina do Cris Froome e diversos outros modelos da Pinarello. E pra falar bem a verdade, o preço não é tão alto para quem mora e trabalha na Europa. O problema é que a nossa moeda é muito desvalorizada em relação ao euro e fiz me fez desistir da ideia de comprar um quadro. Calculei rapidamente o preço em reais, joguei aproximadamente o valor do imposto a ser pago e decidi ficar com a minha bike mesmo....huahuahua.
   No fim acabamos levando somente um mala-bike pro Marco...hehehe





















   Ao sairmos da Disneylândia dos ciclistas fizemos uma parada para almoço e depois seguimos, sob um sol de quase 40,º até onde tudo começou, Veneza.
   Ali havia terminado a pedalada, mas não a aventura. Ficamos acampados no camping homônimo à cidade e enquanto ajeitávamos as coisas decidimos ir de trem até Roma, pois tínhamos um dia de folga ainda. Perfeito!








   Não vou relatar com foi o dia em Roma, mas deixo o texto final do Marco e algumas fotos.
   "Tão breve chegamos a Veneza e ingressamos no Camping de mesmo nome, armamos nossas barracas, e como sempre, deixamos as bikes apenas encostadas no alambrado, encerramos nosso roteiro com 1 dia de folga, decidimos viajar de trem durante a noite para conhecer Roma, o Coliseu e mais um país, o menor do mundo em tamanho, todavia muito grande em ostentação, cultura e história, o Vaticano, mas como não fomos de bicicleta, é uma outra história... Ps. Lembram-se das caixas de papelão que escondi no aeroporto quando montamos as bicicletas? Pois é, 15 dias depois elas estavam lá! ... rsrs"
















































































































 
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