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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Projeto Espanha e Portugal - 2000 km

   Sei que estou devendo o relato da pedalada entre Rio Branco e Cusco, porém a vontade de se aventurar mais uma vez pelo velho continente falou mais alto. Novamente farei uma pedalada com o grande Marco Brandão e ao julgar pela experiência que tivemos pedalando juntos em julho de 2015, essa nova empreitada também será um sucesso.
   A ideia é pedalar por: Bilbao, Lagos de Covadonga, Picos de Europa, Monte Angliru, Peregrinação de Santiago de Compostela, Vigo, Porto, Estrada 222 (a melhor do mundo em 2015), Serra da Estrella, Coimbra e Lisboa.

   Abaixo deixo o roteiro, o álbum com todo o planejamento e o texto escrito pelo Marco, explicando como surgiu a ideia dessa nova aventura


https://www.facebook.com/PedalandoSFronteiras/photos/?tab=album&album_id=581332765377797


Texto do Marco:

   NOVO PROJETO [ VERSÃO PARA QUEM GOSTA DE LER UM POUCO MAIS ] :D

   Agora finalmente, podemos responder a pergunta habitual que todos nossos amigos do dia a dia fazem:
   E então seus malucos, para onde é a próxima ? kkkkkk
  O roteiro da nova empreitada surgiu através de meses de conversa que o Aramis e eu travamos pelos undergrounds do whatsapp e facebook. Debatemos muitas opções de lugares. Escolhemos, decidimos, planejamos e estudamos o roteiro a seguir:
   A partida se dará na cidade de Bilbao comunidade autônoma do País Basco na Espanha, que só para não ser diferente, é uma cidade cercada por cadeias de montanhas, até porque a Espanha é um dos países mais montanhosos da Europa. ( Obrigado Aramis eu queria apenas Portugal, e você começou a colocar as montanhas do Giro de España no roteiro só para me lascar, valeu ... kkkkkkk )
   Ou seja, partindo de Bilbao seguiremos rumo a Cordilheira Cantábrica em direção ao Parque Nacional de los Picos de Europa ( acho que esse nome já explica tudo né ? ). Em seguida, para a fronteira com a Castilla até a exuberante região dos Lagos de Covadonga. Passando pelas Astúrias, Castela e Leão, Pico Angliru ( uma das maiores montanhas do Giro de Espanha ) e pelo caminho francês da peregrinação, pretendemos chegar a Galícia, mais precisamente na internacionalmente famosa cidade de Santiago de Compostela, um dos destinos de peregrinação cristã mais famosos do mundo. Dizem que o peregrino que vai a Santiago sofre grandes mudanças interiores. Eu me arrisco a dizer que quem viaja de bicicleta também sofre grandes mudanças, afinal tudo está ligado a fé, determinação, persistência, penitência, abdicação e humildade.
   Em Santiago estaremos praticamente com metade do percurso pedalado, e o próximo passo, é seguir no caminho de peregrinação português, nesse caso no sentido inverso, ou seja, voltando para Lisboa cruzando a fronteira entre Espanha e Portugal. Entretanto, montamos esse caminho com interesse de percorrer e conhecer alguns lugares da terra natal da minha mãe e minha família.  Escolhemos conhecer um pouco da região costeira, nas cidades de Vigo e Porto, e para deixar o percurso ainda mais especial no quesito “ subidas “, pretendemos fazer um desvio para o interior, seguindo o rio Minho até alcançar a região montanhosa de Portugal onde está localizada a famosa Serra da Estrela, que para nós aqui no Brasil, se equivale a Serra do Rio do Rastro, com direito a muita neve e frio na estação de inverno. Lembrando que estaremos em pleno verão europeu, e eu só torço muito para que não façam temperaturas muito altas, porque eu prefiro mil vezes o frio.
    Contornando e subindo toda a região do Parque Natural da Serra da Estrela, voltaremos sentido Coimbra, passando pelas cidades de Fátima e Leiria, com o objetivo final de chegar a capital portuguesa, Lisboa.
   Lá estando, quero tirar uma foto com meu primo Nuno Alves, visitar o bairro onde viveram os avós que me criaram ( Celda e Chico ) e onde permeiam todas as histórias por eles contadas de uma Portugal sofrida nas mãos do ditador Salazar, grande motivo de imigração portuguesa a procura de melhores condições de vida e trabalho no Brasil na época. Conhecer o estuário do rio Tejo de onde saíram as Caravelas que aqui no Brasil aportaram no ano de 1500, apreciar bastante a culinária portuguesa, beber vinho do Porto e comer muitos pastéis de Belém em Belém, e finalmente ver a cabeça do bacalhau. Kkkkkkk :D
   Muita gente tem curiosidade sobre os CUSTOS de uma viagem como essa. Eu diria que estando com o passaporte em ordem, a despesa maior fica por conta da passagem,que nesse caso troquei por milhas do cartão de crédito ;) ... estando no lugar escolhido para pedalar, dispomos de barracas para dormir em Campings e Albergues por 10 euros, compramos comida nos mercados e preparamos ( é barato ), e quando não, qualquer refeição de 6 euros enche o bucho. Água tem a vontade pelo caminho, além da hospitalidade que por muitas vezes trocamos e conseguimos com carisma, amizade e boa conversa.
   Outra curiosidade a ser esclarecida: as bikes não são ultra bikes, são mountain bikes que podem custar em torno de 850,00. Já vi cicloturistas por aí viajando de Barra forte ... ;)
   Acho que desta vez não teremos problemas com o idioma ... kkkkkk
  Contamos muito com a boa energia, apoio, respaldo e torcida de nossos familiares e amigos ! E desde já em AGRADECEMOS IMENSAMENTE, todo o o carinho e apreço recebido ao longo desses anos de amizade, seja no dia a dia ou na internet. MUITO OBRIGADO MESMO !!!
   Nos organizamos e nos esforçamos muito para mais uma vez fazer algo que gostamos demais, viajar de bicicleta por alguns dias. Interagir com o meio, somar e dividir !
   Onde está seu coração, aí está o seu tesouro.
Deus abençoe cada um de nós !

Interoceânica - Do Acre ao Peru


   Essa aventura começou a tomar forma em janeiro de 2013 quando estava pedalando na serra catarinense seguindo para o Uruguai. Saindo de Urubici (umas das cidade mais frias do Brasil) encontrei um caminhante chamado Antonio Cesar Cogo e fiquei assustado, pois o mesmo estava fazendo um percurso de 400 km a pé. A reação dele em relação à minha pessoa foi a mesma, pois eu iria pedalar mais de 2000 km com uma carga de aproximadamente 35 kg. Trocamos informações e seguimos nossos rumos. Já em casa recebo uma solicitação de amizade do Antonio numa rede social e ao conversarmos ele revelou que gostaria de pedalar no Peru. Pronto, a partir daquele momento nascia a ideia de mais uma aventura. Como o Antonio, gaúcho de nascimento, estava morando em Rio Branco (ele é professor concursado), foi fácil encontrar um trajeto perfeito para chegar até Machu Picchu.
   Pois bem, programamos e decidimos que a viagem seria em janeiro de 2016, saindo de Rio Branco e chegando em Cuzco pela Estrada do Pacífico. Por alguns compromissos o Antonio não conseguiu me acompanhar durante todo o trajeto, mas fez questão de me hospedar em sua casa, me apresentar a capital acreana e de pedalar comigo até o trevo de Xapuri.

   Abaixo deixo os vídeos e na medida do possível, os relatos.